Gene: Libertine

libertine

O Gene apareceu em minha vida em um delicioso clipe do primeiro disco deles; a canção,  Sleep Well Tonight. O som era descaradamente calcado na escola Smiths, e o vocalista Martin Rossiter poderia ser processado a qualquer momento pela primadonna mancuniana por apropriação descarada de trejeitos visuais e vocais.

E o disco, Olympian, era como aquela canção e aquelas imagens. Letras confessionais, amor pelo cotidiano, poesia de subúrbio, e um bom guitarrista comandando uma banda competente e inspirada.

O segundo disco abria cheio de vontade de impressionar, e de arranjar uma identidade. Na primeira faixa, as duas ambições se realizam com louvor, mas, diabos, eles se perdem logo, e o álbum fica cheio de altos e baixos. A coisa degringolou de vez no terceiro álbum, e aí a Polydor, gravadora major e malvada, mandou-os passearem.

Na rua, os meninos viram o britpop crescer e definhar, e até que não foi ruim eles terem ficado de fora, dados os discos atuais de Oasis e Blur.

2002 chega, e os mesmos gravam um disco independente com Hugh Jones e Stephen Street. As composições não são aquele primor de inspiração do primeiro disco, mas aí entra a mão excelente de Jones, que coloca detalhes cruciais para tornar o álbum uma gema pop, no mínimo, extremamente palatável.

A abertura, na versão expandida ianque, é Let Me Move On, e é deliciosa, daquelas canções de ouvir de manhã, para ajudar a sair da cama. O disco segue linear, uma massa bem desenvolvida de canções bem resolvidas, onde se ressalta o cuidado e o bom gosto. A impressão inicial é de que o acabamento nas canções possa sufocá-las, mas Rossiter continua um letrista inspirado, e as guitarras têm muito o que dizer.

No plano das ambiências, destaco Is It Over, sutil e avassaladora, um lamento típico da verve morrissey de Rossiter. A história do amante que se desinteressa, e a aceitação por parte do amante desprezado é universal, mas a banda trata-a com sutileza, e carrega um novo aspecto no subconsciente.

Os estilos se alternam durante o álbum, e a banda experimenta sem as pretensões do segundo disco. Aparece até um reggae estilizado em We’ll Get What We Deserve, e os caras realmente parecem estar se divertindo.

Embora seja um truque manjado, a qualidade da canção escondida depois do espaço em branco vale a pena. Somewhere In The World não escapa ao estilão Gene, mas a tal canção escondida aponta para uma nova direção, e o falsete de Rossiter é inspirador tanto quantos os slides na guitarra de Mason.

Libertine não vai mudar a tua vida, mas vale mais do que toda a discografia da banda homênima em plural, penúltima sensação do mundinho britbobo. Do primeiro álbum, sobrou a referência da capa, com modelo em pose semelhante; o Gene encontrou seu próprio caminho.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Gene: Libertine

  1. Turnes disse:

    hmmmm!Alguém ia gravar um cd pra mim!!!!!

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