Sergio Leone: Era Uma Vez no Oeste

Homens Machos e Malvados!

Era uma vez o Sergio Leone, e o cara era foda! A década corrente era a de sessenta, e o cara se empolgou a fazer O faroeste. Não entendo lhufas de faroeste, mas eu diria que é o tipo de filme de macho, com direito a todos os clichês possíveis, sem falar em planos longos e gente fedida.

O primeiro clichê é a terra de Malboro; só tem homem no filme. Sim, Claudia Cardinale é uma deusa, mas é uma só. Mas seria demais querer que o belo sexo se espalhasse em abundância em terras tão agrestes e sem graça; apenas homens conseguem ser estúpidos o suficiente para adentrarem as paragens desérticas do oeste descrito pelo cineasta italiano.

E ainda bem que o fizeram! Filmes de faroeste são maravilhosos, e ficam ainda melhores quando se tem atores como Henry Fonda e Charles Bronson. Fonda é o vilão por excelência: olhos azuis faiscantes, e um charme que poderia justificar qualquer filhadaputice. Bronson é quase parecido com um herói, e monossilábico como pede o papel; ele é tão misterioso que quase nem precisa interpretar: passa o filme inteiro sem mover um músculo sequer do rosto.

Como sói ao estilo, ninguém presta. Muito menos o delegado. Jill, interpretada por aquela deusa italiana, embora engane no começo, vale menos do um sorvete seco sem brinde. O deserto parece receber apenas pessoas nas quais você não gastaria sua urina caso estivessem pegando fogo. E todas possuem personalidade, e um código pessoal de honra, que, não raro, gera situações extremamente peculiares.

Leone foi muito feliz. Seu ritmo é lento, mas existe nervosismo em cada fotograma, como se a imagem pudesse se rasgar a qualquer momento, instalando-se no espectador com a fúria de uma ventania. E o vento! O vento é amigão de Leone, e aparece nas horas perfeitas, assim como a mosca da passagem da emboscada, no início do filme. Fico imaginando se o cara não fez um pacto demoníaco, pois tudo é perfeito demais para ser verdade.

O momento histórico da região é bem desenhado, com seus costumes, seus irlandeses, seus chineses, seus poltrões, como o bosta Wobble, que usa cintos e suspensórios. Os casacos das cenas iniciais também são de ferrar com qualquer pretensão que o figurinista de Matrix tenha tentado. As locomotivas respiram pesadamente, assim como todo o deserto, que se estampa na percepção das personagens de forma distinta e pomposa.

A trilha é soberba, e dá para visualizar Will Gregory vendo este filme e compondo Lovely Head. Ennio Morricone detona, mesmo com a seqüência chatinha da gaita de Bronson ou com as paradinhas exageradas nos momentos dramáticos.

Obviamente, terminou o filme e eu ainda não consegui entender por que diabos as mulheres usam apenas espingardas em filmes de faroeste, mas já fico bem feliz em ver um filme onde os caras atingidos caem através do telhado, e, diabos, isso é natural, e não os clichês bobos de um bobalhão como o Tarantino.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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