Bacalhau, oras…

diabos!

Na companhia de duas mocorongas premiadas com bilhetes, fui assistir a Bacalhau Regado a Vinho. A sinopse do Guia Floripa não era nada promissora, mas o escriba não é de se assustar com nada, e foi, de peito aberto, encarar mais uma roubada. No mínimo, haveria a beleza da parte velha de São José sob o luar, e o teatro Adolfo Mello, que eu ainda não conhecia.

Bom, como dizia o Barão de Itararé, de onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo, e as velhas regras continuam valendo. O desastre se desenha antes da cortina abrir, na apresentação do diretor, usando terno e óculos escuros, forçando um ar de reportagem. Lembrei imediatamente dos meus teatrinhos nas aulas de artes do colégio.

Abrem-se as cortinas, e a cenografia demonstra claramente que estávamos diante de um dos ápices do amadorismo sobre palcos. A chegada dos atores apenas reforçou a sensação, e notamos todos que estávamos fadados a rir apenas pelo constrangimento. Ou da cara de fora da casinha do personagem Nicolau, que é o mais próxima de um ator dentro do palco.

O roteiro é simplista, feito para gerar situações atravessadas, as quais poderiam fazer efetivamente rir. Em alguns momentos, até que é engraçado, mas fica chato logo. Podia ser pior: se as piadas fossem todas como aquelas que envolvem a rivalidade futebolística dos irmãos, alguém poderia ter se ferido pelas mãos de algum espectador mais afoito.

Obviamente, meu humor não estava dos mais ensolarados, dado que meu tocador de CD no carro resolveu rejeitar os discos. O meu carro sem música escolhida pela minha pessoa de fino gosto é tão interessante quanto a vida social de um engenheiro médio. Ainda assim, eu afirmo que estava ruim, sem medo de parecer injusto. E o diretor teve a bondade de declamar a máxima imortalizada pelo Spiegel no festival mais furado do ano, antes do Placebo tocar: “falem mal, mas falem de nós”. Quem sou eu para negar um favor a uma figura dessas?

Bom, aturei a peça até o final, e nem foi tão ruim. Eu recomendaria até. Para certas pessoas. Homicidas psicóticos ou pessoas instáveis com impulsos de destruição. Ou nem isso. Eu até pensei em ligar para o algum justiceiro independente, mas fiquei contente depois de descobrir que meu tocador de CD está aceitando discos novamente. Eu sou um cara legal, até bati palmas para eles. Escrevi mais de dez linhas, meu deus! Sou praticamente um escoteiro.

e, curiosidade, este é o texto de número 500! como eu falo bobagem, minha gente!

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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5 respostas para Bacalhau, oras…

  1. mari disse:

    parabens pelo seu tocador de cd

  2. carol doria disse:

    os comments estao ficando tao bons qto os textos.

  3. MM disse:

    Após revisão feita..insisto, com base no seu orkut, vc sem dúvida foi acompanhado de moçonas e não mocorongas…rsrs

  4. Jux disse:

    o que tu farias se estivesses diante de uma suspeita peça “Arlequim – servo de dois amos”, pretensa comédia que se arrastou por duas horas sem arrancar maiores risadas, excetos as dos amigos dos amigos dos conhecidos dos vizinhos dos atores? Peças assim quase nos fazem duvidar de nossa capacidade de entedimento lúdico…
    Bah!

  5. MM disse:

    SETE – Um número cabalístico
    Gilvas em sete atos – noite do bacalhau sem bacalhau

    Uma das melhores qualidades de Gilvas (seu charme), imprescindíveis a um bom escritor é o senso de humor… entonces pegando o gancho do Barão de Itararé:

    ?Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você? (BI)

    Então meu escritor-mor, garimpeiro, explorador de preciosidades literárias ou lingüísticas, como um bom escoteiro colheu , usufruiu e nos deu o melhor da noite:

    1. Foi na companhia de duas mocongas, ainda premiadas, ou seja, na companhia de duas moçonas bonitas, risonhas, bem falantes como diria José Conde;
    2. Havia toda uma beleza da parte velha de São José, sob o luar… e havia ainda o teatro, não conhecido por esse escritor de fino trato e escoteiro;
    3.Pode tranquilamente, sem culpas, sentar (tacar ou meter) a ripa, pois a ele foi solicitado: ?falem mal, mas falem de nós” Realmente ele não poderia negar esse favor;
    4.Aturou a peça até o fim e bateu palmas;
    5.Fez uma resenha maravilhosa;
    6. Bom escoteiro, esse menino;
    7.Como premio pela boa ação o tocador de CD funcionou… E depois falam que milagre não existe…

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