Vitor Ramil: CIC, 12.06.2005

Dia dos namorados, e as sintomáticas sacolas do Boticário à solta. Como diria Zuleika, a vida continua… uma merda, mas, diabos, para dias assim, Vitor Ramil faz toda a diferença, e deixa este velho escriba com esperança na humanidade, mais uma vez.

O homem entra no palco com seus escudeiros, mandando Grama Verde para ganhar de cara a platéia. Ele conversa com o auditório, como se estivesse na varanda da casa em Pelotas, e vai pinçando pérolas mais animadas do seu repertório, intercalando com as melancólicas canções do último disco.

A patuléia só sossega quando ouve as obviedades da Itapema, ou os sucessos antigos, como a chatíssima Joquim, ou a sortuda Estrela, Estrela, linda, mas bem aquém da sofisticação do repertório recente. Vitor Ramil é um mago das seis cordas, contrapondo harmonias sutis e belíssimas ao baixo exibicionista de seu colega. Interessante é ver que o guitarrista está abaixo dos outros instrumentistas, fato gritante quando o baixista sola de forma destruidora.

Neve de Papel e Longe de Você conseguem extrair de mim um arrepio depois do outro, tamanho o abandono com que Ramil as interpreta. O gosto da banda em tocar Noa Noa nem precisaria ser evidenciado ao microfone, tamanha a concisão que os garotos colocam na execução. Paul Gauguin foi muito feliz.

E Vitor segue, fazendo piadas espirituosas com o público, mas sem ser condescendente, o que se mostra em certas respostas irônicas, que espalham uma onda de hilariedade entre as cadeiras do teatro. Sua voz, ao falar, é um complemento do que é ao cantar, e ele canta, diabos, o homem canta cada vez melhor.

O show segue sem desvios, o que fica claro pelo olhar de Vitor, que acompanha as folhas das canções, sem se dar ao luxo de incluir outras canções. Fiquei na saudade de ouvir A Resposta e Deixa eu me Perder, mas testemunhei a bela versão de Sapatos em Copacabana, uma canção sofisticada, executada à altura.

Um álbum ao vivo viria a calhar, pois certas versões ficaram muito boas, na reinvencionice deste gaúcho fantástico de Pelotas. Vale um registro bem gravado, redondão.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Vitor Ramil: CIC, 12.06.2005

  1. Chris disse:

    O que vamos fazer quinta, cérebro?
    Eu mereço tomar um choppinho.

  2. MM disse:

    Acredito que vc deixou uma provisão suficiente apenas para uns poucos dias, por isso volte logo…Tenho certeza que segundo o grande guru Wando, o chamamento é geral. Divirta-se por ai , que nós por aqui, vamos curtindo seus textos geniais.

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