Agnës Jaoui: Comme Une Image

comme une image

Você poderia ter visto este filme antes, e os acostumados a Hollywood dirão que efetivamente o viram. Questão de Imagem é repleto de personagens em situações emocionais exacerbadas, arquétipos viscerais de pessoas normais, como eu ou você. Ah, você não é normal? Desculpe-me, mas deveríamos estar falando de outro assunto.

Jaoui carrega nas situações, exigindo do elenco atuações exemplares, que ela consegue. Marilou Berry, Jean-Pierre Bacri e a própria Agnës Jaoui estão soberbos, mesmo interpretando personagens com atos que quase impossibilitam a própria verossimilhança. Ettiene consegue ser um total babaca, Lolita é uma mala adolescente de dimensões e peso assustadores, e Sylvia se permite trafegar nos fotogramas com a sutileza que podemos enxergar também em certos momentos de Karine e de Vincent.

Outra decisão interessante é o uso de recursos tradicionais na filmagem, o que pode ser resultado da clássica teimosia do cinema francês, mas que, diabos, dá belos resultados pelo uso da mudança de foco em determinadas cenas. Os enquadramentos são corretos e fecundos, criando os tons corretos de desconforto que a maior parte das cenas pede.

Vale um alerta: leve uma cartela de seu diazepínico predileto, pois Questão de Imagem é depressivo como apenas um filme sobre pessoas bem sucedidas e reclamonas poderia ser.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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