Dois Livros Distintos

Seventh

Você simpatiza com o budismo sem aquelas frescuras místicas dos tibetanos, sem aquele ranço de auto-ajuda do Dalai Lama, ou sem aquelas mandraquices nojentas do Osho? Então tu precisas passear teus olhos sobre The Seventh World of Chan Buddhism. Sem fórmulas fáceis, sem indulgência, Ming Zhen Shakya traça um mapa simples, mas não superficial, do budismo chinês, puxando fatos desde a época em que os arianos chegaram à Índia, até quando o budismo finalmente adentra o Japão. Os aspectos peculiares de cada manifestação, incluindo sua relação com os fatos históricos e com o Taoísmo, por exemplo, são apresentados de forma clara e direta.

Depois da aula de história, de fina e elegante ironia nas entrelinhas, Shakya nos presenteia com o caminho do Budismo e com seus conceitos, onde entram a psicologia de Jung, técnicas de respiração, e um pouco da vida nos mosteiros. Um belíssimo trabalho, e que tu encontras aqui. Vale a pena dar uma olhada nos outros textos disponíveis.

1919 é meu primeiro livro de John dos Passos. Contemporâneo de Faulkner, ele fica muito aquém. Não chega a ser irritante como Steinbeck e sua cantilena naturalista, mas não consegue efetivamente construir um romance. Sua escrita fragmentada, focada em um personagem por vez, fornece algum charme à narrativa, e, apesar da velocidade excessiva da descrição dos fatos, o leitor consegue se identificar com eles; sua construção de caracteres é eficiente.

A porca torce o rabo nas amarrações, muito tardias. Os personagens começam a se encontrar no último quarto da obra, depois de mais de um deles ter desaparecido. Novamente a velocidade atrapalha, pois é difícil lembrar de certos personagens quando eles surgem. O efeito poderia ser interessante numa transcrição realista, de um observador um tanto atônito no mundo da primeira guerra.

O recurso dos noticiários é interessante por ser pioneiro, mas é pouco aproveitado. A objetiva parece mais um devaneio, e padece da falta de foco anteriormente descrita. As biografias rápidas são interessantes, mas fornecem pouco ao livro.

Se encararmos o livro como um documento histórico, e não como um romance, podemos dar-lhe uma boa nota. A percepção de que o mundo seria todo comunista em pouco tempo é muito bem expressada tanto nos movimentos sindicais quanto nas ações dos soldados. A ironia é estar lendo este livro logo na mesma época em que assisti Eterno Amor, passado na Primeira Guerra, e enquanto os guris e as gurias tomam cacetadas da milícia governamental para apoio aos empresários nas batalhas dos terminais e das pontes de Florianópolis.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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