Park Chan-wook: Old Boy

“Old Boy? Que naba é essa?” foi meu pensamento ao ver este filme anunciado na programação do CIC para esta semana. E, diabos, que bela surpresa. No início, Dae E Soo está em uma delegacia, bêbado, fazendo uma seqüência de trapalhadas, daquelas que apenas os orientais parecem capazes de fazer. Durante a abertura do filme, descobre-se um pouco sobre ele, mas apenas o suficiente para edificar os próximos blocos da trama; outros detalhes da biografia, que poderiam salientar certas bizarrices do roteiro, são deixadas de lado.

E a trama é uma tragédia tão entrelaçada e irônica que só poderia ser extremamente divertida. Dae E Soo é preso em um quarto por quinze anos, e tem uma televisão por babá e professora, e por ela que ele descobre que sua mulher foi morta. Alguém quer se vingar dele, que não faz idéia de quem esteja se vingando ou porque razão. Depois de sua libertação, a “cela maior” não facilita as coisas, e ele entra em um mundo louco, onde nada é confiável.

Como a trama se originou de um gibi, são usados expedientes pouco ortodoxos para amarrar e justificar certas cenas. E dá-lhe hipnose, controles remotos em marca-passos, dentes arrancados em torturas, coberturas envidraçadas, impasses, armas pouco triviais, e um suicida que leva ao colo um poodle. E não fica mais fácil acreditar se eu disser que o suicida estava em uma cobertura jardinada com capim alto.

A distribuição entre ação, drama, suspense e mistério émuito boa, e o desempenho do diretor em cada uma delas não compromete. A fotografia é muito boa, lembrando fortemente os quadros de uma boa graphic novel, com cenas sujas e alguns enquadramentos pouco convencionais. Não sei como será Sin City, mas Old Boy já mostra-se um forte concorrente no quesito fidelidade ao universo HQ.

As seqüências de luta estão distantes das palhaçadas esvoaçantes de outros filmes orientais da atualidade, brindando o espectador com momentos de veracidade memorável. A seqüência final, fechada pelo de desespero de Dae E Soo é maravilhosa. E a invasão inicial do complexo de aprisionamento é ainda mais inacreditável: Dae E Soo enfrenta uma dúzia de oponentes das formas mais bizarras e desastradas possíveis, e os arrebenta de forma absurdamente divertida, com um ar do clássico videogame Double Dragon.

Num balanço geral, eu comparo Old Boy a Crying Freeman – Lágrimas do Guerreiro, outro bom filme de ação proveniente dos quadrinhos. Durante o filme, é difícil não pensar na patuscada última de Tarantino. Old Boy é efetivamente um filme de vingança, com toda a irracionalidade e absurdo que se pede, sem violência de butique, sem apelos engraçadinhos para intelectualóides mariquinhas.

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