Dois Cachorros

Tem uma historinha que você pode encontrar em dezenas de textos de auto-ajuda, e com a qual, com certeza, você já topou por aí. Trata-se de:

Um ancião índio norte-americano certa vez descreveu seus conflitos internos da seguinte maneira: “Dentro de mim há dois cachorros. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Os dois estão sempre brigando”.

Quando lhe perguntaram que cachorro ganhava a briga, o ancião parou, refletiu e respondeu: “Aquele que eu alimento mais freqüentemente”.

Eu também tenho dois cachorros dentro de mim. Um deles se chama Tomba. Outro se chama Filó.

E não foi por falta de outros cachorros. Tive companhias caninas desde molecote, no sítio em Marcílio Dias, e depois na cidade, e mesmo aqui no Morro das Pedras, sempre foram vários cachorros.

Todavia, eles foram os cachorros da minha vida. Eles estavam aqui quando passei pelas fases mais tempestuosas da minha vida, e é difícil esquecer das rosnadas afetuosas da Filó ou da coragem fidelíssima do Tomba.

A Filó chegou aqui como uma princesa, e, diabos, ela era uma princesa egípcia, com aquelas linhas negras e finas ao redor dos olhos. Tomba era o próprio plebeu, desdenhado pela Filó assim que chegou, com a pança inchada de vermes, depois de recolhido da rua, quase morto.

Agora que eles se foram, os dois, eles ficarão como estão nesta foto, como se fosse um mundo paralelo congelado sob o plástico.

Neil Hannon possui a capacidade de ser perfeito, às vezes:

For one day you are here, and the next you are gone
Every horse has its year and every dog its day, my son
So the only thing to feel sad about is
All the dogs and the horses you’ll have to outlive
They’ll be with you when you say good-bye

Sei lá, aperta aqui dentro, e não dá para falar muito deles, não. Meus dois cachorros, como diria o Vitor Ramil, se foram por ali, ficaram por aqui.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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5 respostas para Dois Cachorros

  1. Ian disse:

    É, de fato, essa metáfora dos cachorros faz sentido, acho que posso traçar um paralelo entre a Fram e a Nina e a minha existência, meu Yin e Yang… elas são bem diferentes!
    Abração cara!

  2. pessoinha disse:

    acho q hoje to meio sensível, se visse minha guapequinha nesse exato momento chorava…
    amo ela, ela me entende e se parece um pouco (muito?) comigo…
    acho q o grandão q é do meu irmão vai ter q ir embora, e eu vou sentir falta daquele bobo!!
    tô estrannha hoje, engraçado, ser´pa q é pq o meu celular se suicidou há duas semanas?? Foi vc q fez preces?? hehhehehe…
    não deve ser por isso…
    xauzin pessoinha…

  3. Ox disse:

    Linda foto, cara.
    É os dogs são assim: vêm e vão, mas alguns nos marcam de um modo muito especial. Eu não tenho bichos em casa, curto os dos amigos, e mesmo assim foi horrível quando o porquinho (é um cachorro) teve que ir. Um cachorro daquele nunca mais:(
    Às vezes chego a pensar que ele ainda vai estar lá, sentado ao lado da poltrona escutando música com a gente…

  4. theopi disse:

    os meus são a juna e o charles.

    agora tem a sami, uma sonsa. tomou um coice de cavalo no focinho na primeira semana que chegou, e foi atropelada na segunda. mas sobreviveu, sabe como é.

  5. Dani disse:

    eu ainda espero o ataúfo.
    ele não demora, acho.

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