Paul Weitz: In Good Company

In Good Company

Sabe o que me irrita profundamente? Filmes meio ruins. Eles não possuem a densidade de ruindade necessária para serem xingados a contento, diferentemente dos filmes horrorosos, daqueles que se assiste babando com a possibilidade futura de achincalhar o artefato, auxiliando na liberação de endorfinas no corpo do espectador, e melhorando sua qualidade de vida.

Em Boa Companhia é assim, um filme meia-boca, que não se decide sobre o seu destino nas mãos dos escrevinhadores mundo afora. Pudera, o que esperar de um filme que, em seu cartaz, auto-recomenda-se como produto da mesma mente que gestou American Pie?

O elenco tem ao menos dois atores conhecidos do grande público, o que não é garantia de qualidade em nenhum momento. Dennis Quaid, cujo registro mais relevante em minha memória é a participação no lacrimejante Inimigo Meu, continua seu eterno exercício de franzir a testa em momentos de profunda, oh, reflexão. Scarlet Johanson faz o que se espera dela: uma adolescente chata com beiços enormes. Aliás, eles têm uma movimentação bizarra; talvez a capacidade interpretativa dela esteja restrita ao beições, e eu esteja sendo injusto.

Mas não.

O diretor não mudou muito desde American Pie, e continua sua busca pela América Inocente, uma variação da Pastoral Americana sacaneada pelo Philip Roth, mas o faz a sério, o que soa hilário em várias ocasiões. O americano médio, como ele se imagina, está bem delineado na figura de Quaid, paizão responsável e seguro, mesmo em dificuldades. Ele se defende de um mundo que não compreende e não aceita. Um mundo que transforma uma 911, veículo yuppie em conceito, no que Rob Dickinson canta como a canopy of steel em Chrome, canção do segundo disco do Catherine Wheel. Um mundo em que a menina do papai chega em seu apartamento descolado com um gurizão, e mostra um domínio da situação capaz de rivalizar com a maior parte das profissionais do ramo. Ou vocês, mocinhas, sempre deixam um CD com Besame Mucho engatilhada, mais um jogo de luzes esperto, mais a colega de quarto que não vem dormir? Fala pro Boneco!

Apesar do conservadorismo, algumas gargalhadas, e o casal na fila de trás entretido em uma posição que deve estar em alguma versão do Kama Sutra mais completa do que a que eu tenho. Interatividade é isso aí!

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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4 respostas para Paul Weitz: In Good Company

  1. MM disse:

    Fala ai… vamos descontrair, não seja tão mau. Poxa e a beleza da trilha sonora, onde ficou? Nenhum afago pra coitadinha, tão… tão… tão doce e envolvente. O filminho era uma receita de bolo industrializado, tá certo… sem mágica. Mas a trilha… ai… ai… meu coração descompassa. Mas , mesmo assim , amo você, menino mau.
    PS. Lembra, você me iniciou nas músicas dessa trilha, humhum…somos melômanos, não há o que negar!

  2. Mirian disse:

    Estás voltando ao clima.
    Que bom!

  3. Ox disse:

    Meus Deus. Como você é mal! Que comentários monstros!!! Huehauehuaheuhauehuhu acabou com todo mundo: filme meio ruim, as sobrancelhas do cara, os beiços interpretativos da guria. O pior é que você tá certo!

  4. Ox disse:

    Meus Deus. Como você é mal! Que comentários monstros!!! Huehauehuaheuhauehuhu acabou com todo mundo: filme meio ruim, as sobrancelhas do cara, os beiços interpretativos da guria. O pior é que você tá certo!

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