Cirrus

cirrus

Há algo de novaiorquino em andar no ônibus da Beira-mar Norte, e os desavisados poderiam ser levados a pensar que reputo aos tais coletivos a mesma tradição de chatice dos filmes recentes de Woody Allen, o que estaria, definitivamente, muito distante da realidade.

O ônibus estava bastante cheio, confesso, e eu nem pude sacar o exemplar de Hemingway, particularmente desprovido de maiores interesses literários, como devo apresentar em breve neste mesmo espaço. No momento, fico com a lembrança de rodar sobre o asfalto sob vastas multidões dispersas de formações cirrus, providenciadas pelos ventos que agraciam este princípio de Verão.

Aprecio as nuvens, e penso que o povo do hemisfério Norte bem que poderia agradecer por ter festividades de final de ano no ápice do Inverno. Aqui, não bastassem turistas de mau gosto, quase a sua totalidade, temos de aturar a paisagem privilegiada do embrião de Verão ser achincalhada por dezenas de penduricalhos nos postes e luminosos nas fachadas.

Mas há de ser nada; o mau humor de verdade só vem ali por dia dez de dezembro, e pode começar até mais tarde, desde que eu me mantenha distante da televisão. Não é uma beleza este mundo onde as necessidades convergem?

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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