Mara Mourão: Doutores da Alegria

Doutores da Alegria atravessa o espaço da película com sutileza e foco, compondo a sua exata proposta: documentar. Neste ponto, afirmo minha relativa descrença neste gênero tão em voga hoje em dia. Entretanto, tive de ceder aos charmes do filme.

Inicialmente, pela concisão com que os tópicos são abordados. O roteiro, palavra um tanto deslocada neste meio, privilegia uma descoberta gradual do modo como operam os palhaços que rondam as salas e os corredores juntos às crianças com câncer. Cenas didáticas são contrapostas a depoimentos dados em condições sempre diferenciadas; um dos palhaços relata suas experiências dirigindo seu carro, outro está sobre sua bicicleta, e uma terceira bucolicamente amamenta sua criança enquanto conta suas impressões.

Dos depoimentos surgem sacadas interessantes, que conectam a atividade dos palhaços a diversos campos do saber, e, principalmente a uma ciência onde percepção e improviso são imprescindíveis. O equilíbrio entre a tensão do ambiente hospitalar e a intervenção lúdica dos seres maquiados está sempre se arriscando, mas se mantém, graças à eficiente compilação, onde não faltam anedotas divertidíssimas, como a do gnomo Davi, protagonista de situações que apenas uma clássica comédia de erros poderia apresentar.

Distante da pieguice açucarada de um filme como Patch Adams, Doutores da Alegria comove e conscientiza na mesma medida. Incômoda, entretanto, é a questão que me restou: não seria um sinal, do tipo bíblico e catastrófico, tantas crianças estarem com câncer?

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Mara Mourão: Doutores da Alegria

  1. Zuzu disse:

    Informe URGENTE!

    Existe um sujeito estranho circulando pelo CIC, alguns o nomeariam como tarado.
    Eu explico. Com apenas um golpe certeiro e estratégico ele arranca a roupa das pessoas friamente. Suspeita-se que seja algum distúrbio psíquico, mas muitos garantem que não passa de um desavergonhado.

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