Meu Amigão, o Mau Humor.

espectadores típicos

Uma das minhas diretivas de vida se refere a algo como “não perder meu tempo chutando galinhas mortas do meu mau humor”. Entretanto, existem momentos em que acabo me distraindo com livros, pessoas, cidades, mato, fotografias, e me esqueço da sociedade imbecil em que vivo. Voltando do idílio, surpreendo-me mais uma vez com a estupidez deste mundo, e eis-me aqui desfiando novos veios de mau humor para o leitor incauto.

Cena Um: caminho sobre minhas plataformas pelas redondezas do Bar Ilhéu, epicentro da atividade dos blocos de sujo em Florianópolis. É tarde de sábado. Vejo pessoas vestidas com um mesmo tipo de camiseta, dotada de padrões excessivamente coloridos de estampa. Sobre as cores, o texto esclarece que se trata de um bloco exclusivo. Há uma corda isolando os foliões pagos do resto do escumalha, que está ali divertindo-se espontaneamente. O maravilhoso dinheiro cria suas ilhas de divertimento seguro e brochante. Foda-se o trio elétrico e quem vai atrás dele.

Cena Dois: Derrubo um vimeiro, um dos mais teimosos vegetais que conheço. Tal atividade requer concentração, parcimônia e persistência. Meu irmão conversa com um amigo, e a rádio está ligada. Dos alto falantes brotam os refrões repetidos ad nauseam de se ela dança, eu danço. O radialista anuncia uma hora inteira de “música”, e rezo pelos comerciais, que vêm depois de alguns exemplares de rap americano sussurrados por vocalistas à beira do orgasmo fingido. Precede-os “a nova música do Rappa”, anunciada pelo Falcão. Meu irmão se dirige para ir embora, e me pergunta se quero o rádio ligado. Livro-me de uma lobotomia pavorosa quando ele tira o aparelho da tomada, e segue para seu quarto.

Cena Três: Passo pela sala, e a novela das seis emporcalha o ambiente e as mentes ligadas nela. Uma rápida observação dos elementos na tela demonstra que os personagens continuam estereotipados, os roteiros, pobres, e a montagem, patética. O tipo de produção que deveria enganar apenas pessoas idosas e esclerosadas, portanto indefesas contra este tipo baixo e vil e reciclagem com poucos ares de dramaturgia. Entretanto, esses folhetins de gosto decididamente detestável são apreciados por pessoas que ocupam cargos importantes na sociedade. Sim, pessoas formadas em universidades e colégios respeitáveis perdem seu tempo babando na frente de péssimos programas televisivos, previsíveis e chatos.

Pronto, passou o acesso.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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4 respostas para Meu Amigão, o Mau Humor.

  1. Mirian disse:

    Raios múltiplos! Só agora entendi o caminhar sobre as plataformas! Hahahahhahah

  2. Ian disse:

    Naahh!!! Sociedade Imbecil! Logo tu falando isso! Tu que és um total social man! Tsc tsc tsc… não tens motivos pra isso… visto que sociedade, quando falas, envolves os outros indivíduos no sentido de pessoas e relacionamentos, não no sentido de cultura da mesma!
    Abraço!

  3. Mirian disse:

    Ei!
    Não vais contar mais nada sobre as tuas epopéias carnavalescas?

  4. Guaxinim disse:

    PEDANTEAR: exibir erudição afetada.
    (dicionario Houaiss da língua portuguesa)

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