Santiago Carlos Oves: Conversaciones con Mamá

napones

Conversando com Mamãe inicia-se sob o signo de uma certa pieguice portenha, que se mantém, em maior ou menor intensidade, por toda a película.

Jaime é um fóssil da era em que a Argentina era topetuda com propriedade. Possuiu imóveis, tinha um bom nível de vida. Sua esposa, uma vaca, é Dorita, que não trabalha, o que, em si, explicaria por que ela é tão chata. Os dois filhos são, como era de se prever, problemáticos. Tanto a gordinha quanto o pretenso bailarino de tango.

E tudo isso é dispensável. A filha aparece em apenas uma cena, e o filho em outra. Eles servem apenas como ilustração é situação de Jaime. A sogra é outra que aparece em uma única cena, e se Dorita aparece, é por que se faz necessária como âncora para o despejo da mãe. Fora isso, seria necessário apenas usá-la em cena como demonstração da dificuldade imensa que sentimos em nos libertarmos de uma determinada situação de conforto e status.

O foco real, conforme descrito pelo título, é a relação entre Jaime e sua mãe. Juntos, forçados a conversar por conta do apartamento, eles desfiam sua relação e eventos que ficaram mal explicados pelo passado. A situação é temperada e amarrada, como argumento, pela existência do sindicalista que namora a sua mãe. O homem é uma caricatura, mas tem as manhas de ser uma boa companhia, e Jaime não pode simplesmente descartá-lo.

O forte são os diálogos, com bons momentos de reflexão, extraídos, quase sempre, de momentos despretensiosos, quase bobos. A situação se desenvolve, e serve para Jaime sair do beco em que se meteu. Nada muito diferente da tradicional película de família desfeita que Hollywood patenteou, mas com um brilho especial do que se faz na Argentina, uma tristeza glamurosa e inevitável, da qual, paradoxalmente, é facílimo rir.

De outros fatores não se pode falar muito. A fotografia é trivial, a trilha é agradável, as atuações são corretas, com Eduardo Blanco segurando bem o protagonista. Chegando ao final do filme, certas sugestões, após a passagem do tempo, fazem o indivíduo aqui debulhar-se em lágrimas e arrepios, mas o diretor é o tipo de cara que não pode deixar as coisas em bom tom.

A cena final, do desaparecimento no banco da praça, é digna dos momentos mais toscos dos filmes dos Trapalhões, e o expediente utilizado deveria ser riscado de todos os manuais de filmagem mundo afora. Uma pena.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Santiago Carlos Oves: Conversaciones con Mamá

  1. Aluíso disse:

    o cara da foto, abraçado com o senhora de idade, parece o Roberto Benigni. bem construtiva essa critica

  2. ruminante mental disse:

    ai, me sinto melhor agora.
    meus olhos marejaram no final… e eu duvido que alguém não lembrou de suas mamães e seus filhotes que nunca crescem…

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