Juan José Campanella: Clube da Lua

catch

Campanella ficou conhecido em alguns círculos brasileiros por seu trabalho anterior, O Filho da Noiva. Naquele filme, Ricardo Darín era o centro de uma história de várias facetas. A ambientação não nos deixava esquecer, nem um minuto sequer, que a Argentina estava em crise. O restaurante da família era o aspecto mais aparente, um símbolo de uma era passada que a globalização vinha devorar. Darín era estourado como poucos, muitas separações circundavam a trama principal, e havia a fofura dos velhos, que, apesar de todos os problemas, continuavam vivendo na mítica Argentina de outrora. O resultado foi divertido, e é um filme que revisito de tempos em tempos, ainda mais depois da Bina ter me dado o DVD.

Clube da Lua não teve o mesmo efeito em mim. Justamente por ser muito parecido com O Filho da Noiva.

Os atores principais são quase os mesmos. Em vez de um restaurante, é um clube, e está fadado a fenecer, assim como o seu antecessor. Darín centraliza a trama de forma menos efetiva, mas continua a ser o cara esquentado, que vai resolver tudo no tapa. Os casais em crise são os mesmos, as questões de honra, as questões de família, a Espanha a prover, a idéia da retomada depois de perder a causa.

Lembrei-me de certa vez em que me falaram que bandas com muita personalidade costumam fazer discos parecidos entre si. É uma boa teoria, mas Campanella precisaria ser menos meloso para se enquadrar nela. Seu filme exagera no açúcar em várias passagens, e a implausibilidade visita o set de filmagens em mais de uma oportunidade.

Outra falha é a duração excessiva; meia hora de filme editado poderia ter sido deixada de fora. Duas horas e meia das idas e voltas, e de overdose de informação sentimental na tela, saturam o mais mexicano dos espectadores.

Não que Clube da Lua seja um filme ruim. A história é boa, as piadas são engraçadas, e sustentam-se com dignidade. Talvez o problema esteja na expectativa que eu criei, e que outras pessoas podem ter criado. Não seria nada mal que o próximo esforço de Campanella, um diretor compentente e criativo, formasse alguma ruptura com o atual. Ele merece, nós merecemos.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Juan José Campanella: Clube da Lua

  1. Ana Corina disse:

    Vi os dois. Gostei dos dois. Gostei, mas não amei. Estou tentando lembrar o nome de uma comédia espanhola pra te indicar. ‘O condomínio’ ou algo assim. Depois assisti ao “Um crime ferpeito” (assim trocado mesmo), que tem acho q o mesmo diretor do tal q ñ lembro o nome. Não achei tão bom, mas vale a pipoca.
    😉

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