Fritjof Capra: Sabedoria Incomum

ah, se eu fosse o rallah rikohta...

Devido a uma série de percalços, demorei alguns meses para terminar Sabedoria Incomum, de Fritjof Capra. Conhecido por alguns como um guru ripongo moderninho, Capra escreveu livros interessantes como Tao da Física e Ponto de Mutação, e ganhou o respeito deste escriba pelas boas idéias e sacadas instigantes.

Sabedoria Incomum é uma colcha de retalhos onde são expostas as influências da formação de Capra, e que originaram seus dois primeiros livros. Ele narra, de forma leve e fluida, seus encontros com pessoas como Geoffrey Chew, Alan Watts, Indira Gandhi e meu indiano predileto, Jiddu Krishnamurti, ressaltando a influência de tais conversas em seu trabalho.

Gosto particularmente do trecho em que ele fala de Hazel Henderson e de sua visão feminista da economia baseada no enfoque budista de Fritz Schumacher. As passagens com Gregory Bateson são belas, e as derrapadas sociais com R.D. Laing, divertidas.

Neófitos à obra de Capra não acharam muito interessante, pois as referências ficam soltas. Trata-se de um livro para quem já leu alguma coisa dele; reforça vários aspectos, colocando certas idéias em uma perspectiva melhor, principalmente algumas que poderiam soar rançosamente new age.

Por outro lado, assustam certas descrições da vida cotidiana de Capra, as quais revelam o físico-escritor como uma hipérbole hippie, com direito a louvores exagerados à cultura californiana da era de aquário. A seqüência em que ele descreve a casa do Grof em Big Sur lembrava-me o tempo todo aquela astróloga-cabeleireira de What The Bleep Do We Know, este, aliás, um efeito colateral horroroso gerado a partir da moda em torno dos livros de Capra.

A transcrição de uma roda de discussão entre os colaboradores de Capra é transcrita literalmente no penúltimo capítulo, e ajuda a desempatar, nas divergências entre eles, certas obscuridades do pensamento dele. Ficou marcado para mim o momento em que ele divagam sobre os conceitos de vida, morte e saúde, conceitos que alguns entendem, mas que ninguém consegue explicar. Refletindo um pouco sobre eles, na verdade são poucos os conceitos que realmente podemos explicar, o que vai de encontro à visão de Krishnamurti, que não considerava possível a comunicação efetiva através de palavras.

Leia, mas não deixe de ter seu antídoto para incenso à mão.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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