Benoît Jacquot: À Tout de Suite

se mata, sua chata!

Diz o descritivo do Cine Clube Desterro, traduzido de um site francês:

Paris. Meados dos anos 70. Quando Lili desliga o telefone, depois de ouvir o seu amado dizer “Vamos já para aí”, ela sabe, no fundo do coração, aquilo que nunca antes tinha enfrentado: este homem que ela ama, o “príncipe” de parte nenhuma, é um bandido. Ele acaba de assaltar um banco e um homem foi morto. Ela tem 19 anos. É uma jovem estudante de arte. De um momento para o outro, como que sonhando acordada, ela troca o conforto do apartamento do pai por uma geográfica fuga, pela Espanha, Marrocos, Grécia. Uma viagem turbulenta pela Europa, em perfeita consonância com as emoções de Lili, que, no fundo, tem muito menos controle da situação do que pensa. Troca a imagem de garota bem comportada pela da vida que sempre quis ter, para o melhor e para o pior.

Inocente, e até mesmo interessante, embora um pequeno desconforto se insinue nas entrelinhas da descrição clássica de um road-movie.

A sessão do CIC estava quase vazia, uma dúzia de pessoas, bem menos do que em Conversação Angélica, talvez porque neste último o horário do Guia Floripa estava errado, apontando A Lula e A Baleia. Prenúncio de tragédia. Que se concretizou.

À tout de suite é um filme de um nível de detestabilidade que me torna rancoroso. Começa com Lili, a protagonista, escondendo a amiga em casa antes de ir para a faculdade de artes. Lili só faz duas coisas na faculdade: caras e bocas, e a sua única matéria é desenho livre com carvão e derivados.

Lili é uma adolescente típica, e, conseqüentemente, é uma chata de proporções dantescas. Difícil passar mais de dez fotogramas com cara dela sem que eu tivesse vontade de espancar a personagem com o primeiro objeto à minha mão. Poderia ser um sinal de excelente interpretação da atriz e direção de Jacquot, mas o restante da película diz o contrário.

Para começar, a opção de filmar em P&B parece se dever à falta de recursos financeiros; deste modo, não seria necessário colocar cores berrantes em tudo. Existe algum esforço quando se trata de carros onde os atores se deslocam, mas a coisa degringola quando entra-se em um aeroporto supermoderno ou um avião em visual limpo, típico de design atual. Para acabar com qualquer dúvida, o diretor usa imagens de época quando quer mostrar um panorama amplo da cidade onde estão os protagonistas.

Ah, meu mau humor. O roteiro parece roteiro de filme de arte, todo furado e incoerente. Perdoa-se tal deslize em um filme divagativo e de nuances sensoriais, mas não no que deveria ser uma seqüência empolgante de ação e aventura. O roteirista força a amizade em diversos momentos, e encaixa situações à força para justificar decisões. As cenas do aeroporto grego quase me fizeram deixar a sala de exibição.

À Tout de Suite é perfeito como referência de que nem tudo que se filma na França merece status de sétima arte.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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6 respostas para Benoît Jacquot: À Tout de Suite

  1. Izabel disse:

    Que muzenga! Agora vai: O que significa À Tout de Suit?

    Legal o spam word.

    Abraços!

  2. Izabel disse:

    Diabos(spam word), escrevi uma palavrinha errada 🙂

  3. Izabel disse:

    O que significa A tutte suit?

    Legau as spam words!

  4. Maricota disse:

    Meu, que monga esta tal de Lili.Eu também queria bater nela…Adolescentezinha escrota! Acho que era emo..

    hahahhah

  5. Jefferson disse:

    Gilvas, depois que tu voltares da Conca, onde te libertas da vil opressão sexista da sociedade moderna metida a progressista que não passa de um poço de moralismo acafonado e rançoso… visite o site abaixo e manja trabalho do cara em papel:

    http://www.oncotton.co.uk/peter/index.html

  6. Kika disse:

    Ah, seu mau humor…
    Adoro ele… : )

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