Toni Bentley: A Entrega

Capa sutil pacas.

Existem livros de aeroporto. Tu compras eles quando está vagando por aqueles prédios impessoais, e procura algo para preencher o vazio que, de outra forma, ficaria povoado daquelas vozes nauseantes dos anúncios dos vôos e de crianças perdidas.

A Entrega: Memórias Eróticas, de Tony Bentley, é um desses livros. Emprestado pelo meu amigo Fassina, o exemplar já é algo de bíblico entre um seleto grupo de leitores ocasionais. Coisa desses tempos modernos, em que a arte não vale por si, mas sim pelo impacto que gera na mídia, que governa o imaginário popular.

Bentley é um escritora regular. Seu volume é fluido e divertido em várias partes, e as citações esporádicas de nomes fortes do universo pop quase me convence de que existe um propósito maior por trás dessas páginas. E não, não foi proposital a infâmia.

Entretanto, as citações são dispensáveis, e se perdem no tom de auto-ajuda que certas passagens de análise psicológica, onde pululam imagens da infância e da adolescência. Possíveis justificativas para atos da protagonista surgem aqui e ali, mas o todo revela-se uma geléia do que poderia se chamar de Síndrome de Indiscrição na contemporaneidade; todo mundo agora confessa coisas inconfessáveis, e isso parece bastar como sucedâneo para o fato de não haver nada realmente relevante a escrever ou ler.

Depois de uma análise fria da estrutura do livro, temos em mãos uma história melosa do tipo que habita as páginas de livros de bolso do tipo Julia. Isso se vê claramente pela presença dominante do “Homem A”, real centro da narrativa, e não a prática da sodomia, como divulgado pelas resenhas. O diferencial para uma história mela-cueca qualquer é a picardia de explicitar o prazer masoquista da sodomia. Cada década tem a Xaviera que merece.

O livro de Bentley é um algodão-doce, como convém a um livro de aeroporto. Vez por outra, entretanto, penso que o livro poderia ser utilizado, com variados graus de sucesso, por homens sedentos pela prática do coito de forma pouco bíblica como forma de convencimento de suas fêmeas-alvo. Já terminei de ler: alguém interessado?

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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