Yuuko Suzuki: Recital no TAC

Yuuko Suzuki

No domingo passado fui ver a pianista Yuuko Suzuki no TAC. Promoção da Associação Nipo-Catarinense, entrada franca, foi casa cheia. A primeira parte do concerto era baseada em compositores europeus, dos quais agradou-me mais Liszt. A segunda, compositores brasileiros. O repertório, equilibrado e coerente, colocou a pianista no meu panteão de pessoas de bom gosto; nada de concessões a bizarrices popularescas, como ocorre em outros espetáculos, que não citarei, em que se acha adequado apelar para versões de Beatles ou de canções manjadas para ganhar aplausos fáceis.

Dado que eu não tenho muito o que dizer sobre o espetáculo em si, vou aproveitar o espaço para falar mal de pessoas, e destilar meu mau humor de segunda-feira.

A primeira vítima é a criança chata que decidiu sair do concerto pela metade, carregando um brinquedo barulhento, seguida dos seus pais, criaturas abobalhadas que não entendem que crianças pequenas não vão ter paciência para assistir a um concerto inteiro de música clássica, ainda mais um espetáculo visualmente mais espartano, como um recital de piano.

A segunda vítima, que deveria ser lançada no meio de uma turba de javalis furiosos, é o disparador das palmas em meio a um dos movimentos. A pianista ia deitando suas delicadas mãos sobre o teclado, quando o ser abestalhado resolve bater suas palmas, sendo seguido por uma manada de criaturas bovinas. A menina levou alguns segundos para recuperar sua concentração.

Bom, terceira: o ser pedante e inconveniente que fez aulas de italiano em novela da Globo, e que invocava em exclamar “belíssimo” ou “bravo”, sempre com acento macarrônico. Tal animal de pouca noção deveria ser sugado por camarões carnívoros sem permissão para afogamento, potencializando o sofrimento.

Para fechar, uma recomendação: só vá ao balcão do TAC caso você queira jogar chiclete no cabelo dos seus amigos que sentaram nas cadeiras normais do teatro. O ângulo de visão é horroroso, e as cadeiras conseguem ser piores, apesar de minimamente menos barulhentas.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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