Luc Besson: Le Grand Bleu

Imensidão Azul sempre me pareceu um filme interessante, um misto de liberdade dos grandes espaços com uma percepção poética européia. Dia desses encontrei o DVD, com o atrativo extra de ser a versão extendida. Deixei de dar ouvidos à minha intuição sobre filmes extendidos, e adquiri o apetitoso quitute.

Logo aos primeiros minutos, percebi que ter dado ouvidos a alguns amigos geralmente pode ser saudável. As primeiras cenas mostram Jacques Mayol em seus primeiros embates com Enzo Molinari, que vê o silencioso francês como seu nêmese. Elas são filmadas em P&B, clichê dos clichês quando se trata de sublinhar o aspecto pretérito de certas passsagens em uma película.

Luc Besson é um diretor de alguns altos e diversos baixos horrorosos, o tipo de criador que pode ser usado naquelas discussões com o seu amigo pedante que vê apenas filmes franceses, e despreza suas incursões em Hollywood. É um truque baixo, que apenas corrobora Schopenhauer em seu raciocínio sobre a ignorância ser a forma mais eficaz de vencer uma discussão.

O velho Arthur iria odiar a confusa cena da morte do pai de Mayol. Bom, talvez ele entendesse aquela coisa confusa, mas acho improvável. Se fosse o caso, ele veria Besson vir aos dias atuais, e odiaria o sorvete na testa que francês insiste em aplicar aos seus personagens.

Jean Reno é o Enzo adulto, e só poderia ser divertido se alguém se importasse com um francês interpretando um italiano fanfarrão. Os exageros que Besson imprime ao personagem funcionam muito bem por alguns minutos. Depois de três frases forçadas tu pedirás água; cinco se tu deres um desconto para a versão extendida.

Jean-Marc Barr é Mayol adulto. Ele joga no time de Keanu Reeves, modalidade Ator para Personagens Autistas que Deixam as Pessoas em Dúvida sobre Minha Ruindade. Até que funciona, como Reeves funciona em Matrix. A seu favor o físico que torna sungas viáveis, equivalente ao uso de sobretudos por Reeves.

Rosanna Arquette. Diabos, fiquei em dúvida se o personagem dela é realmente tão estúpido. O que a salva, por uns momentos, é o cabelo oitentisa, aquele tufo de ovelha que sofreu um susto logo depois da escova progressiva. Tu pensas “Bom, o cabelo dela deve interferindo”, e a coisa toda fica mais palatável.

Tu até sacas sobre o que o filme é, e, diabos, tem coisa bonita ali, uma poesia que apenas os outsiders conseguem entender. O problema quase todo consiste no esforço para não lembrar de Grande Dragão Branco nos momentos preparatórios da competição. Assustador. Até porque o único ponto em comum seria a grande quantidade de água que é filmada em Imensidão Azul, e a grande água necessária à baixa densidade do roteiro do supracitado filme do Van Damme.

Imensidão Azul poderia ser bem melhor.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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