Michael Moore: Cara, Cadê Meu País?

Michael Moore pode ser um babaca. E, não raro, efetivamente é. Seus filmes possuem dezenas de simplificações e forçadas na amizade alheia em busca da argumentação bombástica. Seu ódio a George W. Bush muitas vezes é apenas isso, ódio. No restante das vezes parece que Moore é apaixonado por democratas, e que até faria o papel de Monica Lewinski, mas tem dúvidas se caberia no vestido manchado. Depois ele se redime, tocando o pau nos democratas, mas, como diria a propaganda do desodorante feminino, a primeira impressão é a que fica. Moore é, além disso, americano, o que se constitui, como diria um amigo, em toda uma declaração de princípios.

Entretanto, Moore é um cara com vocação para a hilariedade. Seja em suas películas, seja em seus textos, é difícil não dar boas gargalhadas com o enfoque particular que Moore imprime às típicas paranóias e bizarrices ianques. Cara, Cadê Meu País funciona assim. Moore foca sua metralhadora no período pós-11/09, e faz um livro recheado de revelações nem tão revelatórias e informações nem tão informativas, mas com um viés onde os grandes bastiões do poder ianque são personagens de uma ópera bufa.

O aspecto hilariante deixaria este livro de Moore numa posição de não receber atenção nestas linhas aqui, mas hoje de manhã eu li um trecho particularmente iluminador, um aspecto que não havia se manifestado antes em minhas elucubrações sobre os Estados Unidos da América. Talvez porque ele viva lá, e o processo de imersão o faça perceber certos detalhes como uma repetição irritante. Talvez porque, ah, sei lá.

O fato é que os americanos moram na Terra das Oportunidades. Trocando em miúdos, um americano padrão tem a crença de poder ser alçado ao olimpo dos multimilionários. Ele percebe esta chance, ela é um dos pilares do conceito do seu país. Ele sabe, em seu íntimo profundo, que basta a ele trabalhar e investir, e, sim, ele tem a chance!

Obviamente, isto é uma mentira. O olimpo está completo, e os graúdos não querem companhia. Ainda mais de novos ricos. Nojo. Agh.

Então, porque se mantém o engodo? Pela invulnerabilidade. A percepção de que um qualquer pode chegar a ser um multimilionário faz com que o americano médio não queira prejudicá-lo. Porque alguém sujaria a água da piscina onde pretende nadar em seguida? Se eu tenho a possibilidade de entrar no clubinho, porque vou exigir que se cobrem impostos justos das pessoas que já estão lá?

Aqui no Brasil existe um sistema semelhante. Os grandes corruptos são mantidos lá, sem incomodação, pois o brasileiro médio acredita que poderá, pelos mesmos meios escusos, chegar ao mesmo ponto que um Paulo Maluf, por exemplo. Ele só precisa de uma chance, e, no Brasil, ela está ali na esquina.

Outro ponto interessante que Moore enfoca refere-se aos direitistas que nada ganham sendo republicanos. Ele traça uma linha de racionalidade entre ser conservador e ser direitista, e alerta para o fato de que os conservadores de classe média pouco ou nada ganham por apoiarem as elites dominantes. A lição aplica-se ao brasileiro também.

Moore ainda apresenta métodos para ganhar adeptos para governos liberais. Era 2003, e a eleição de 2004 ainda não estava perdida para os democratas, apesar de haver fortes indícios de isso era inevitável. A cartilha inclui as táticas básicas de guerrilha eleitoral, e pode ser muito esclarecedora para as pessoas que nunca tiveram contato com a política e seus processos intrínsecos.

Michael Moore, ainda que babaca, está fazendo alguma coisa.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Michael Moore: Cara, Cadê Meu País?

  1. mayra disse:

    nossa sinceramente muito bom os livros de michael morre.
    nossa brasileira, com muito orgulho,e michael moore tbm é conserteza com o corçaõ neh
    americano ele é mas até q enfim um homem mostro a cara pra o mundo todo e falo por aqueles q a muito tempo queria fala algo mas nunca teve ninguem do seu lado
    mas apareçeu um homem bom inteligente para falar pelo povo Americano
    michael moore vc é demais.
    bom quem vê uma breasileira se extresando tanto pelo
    Americano nossa pode até falfa um monte neh.
    ms sim eu falo por que tenho vontade de ir ao Estados Unidos da América ms as condições financeiras naum decha me ir,assim como outros brasileiros.
    ms eu fiko indignada com a falta de senso do BUSH.
    sim ele é um homem muito inteligente, ms o problema é q ele usa a inteligência q deus lhe deu para coisas banais.
    para ele qd ele que arranja um dinheirinho a mais, naum importa quem ou o q esteja na frete dele
    ele vai até o fim pra consegui o q q
    até q por um lado é até um lado bom,ms nam um lado tão bom assim neh
    ms vo ficando por aki msm
    parabéns michael moore

  2. maricota disse:

    Gatão, “a primeira impressão é a que fica” é slogan do Axe. Macacos me mordam se Axe não é desodorante masculino…

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