Manias

A idade vai chegando, a inspiração vai indo embora, e os escrevinhadores começam a se repetir, a retomar assuntos, chegando ao extremo picaresco de usar o vocábulo “reinvenção”, esta muleta gasta a que recorrem os fracassados. Como este espaço aqui nunca teve a pretensão mínima de se dizer correto ou mesmo relevante, confessarei sem remorsos ou resquícios de ética: vou revisitar um assunto antigo, sim.

Até porque pode ser um estudo interessante da senilidade, que vai chegando de mansinho, sentando naquela cadeira que ninguém usa mesmo, e vai se espalhando. Passa o tempo, e logo é o gaudério que está na tal cadeira.

E o típico repetido é “Manias” apesar de se referir especificamente a manias de solteirão. A condição de solteirão foi corrigida pela Maricota, mas a de velho é uma função da fatalidade da existência. E com esta, as manias.

O banheiro, do moquifo que habito, tem o péssimo hábito de atrair toda espécie de fungo para seus azulejos. Participasse eu de alguma seita alternativa, e acreditaria que meu banheiro é vivo, e possui inclinações experimentais tal qual algum cientista maluco de filme dos anos trinta. Como sou uma pessoa quase normal, deixo barato, pela umidade, você sabe.

E seco o banheiro depois de tomar banho. Ainda me restrinjo a usar um rodo, mas enxergo que logo chegarei ao nível de detalhismo que exigirá um pano de chão, talvez dois, de texturas diferentes.

Penduro minhas roupas seguindo uma seqüência bem definida de cores e tipos de grampos, separados por classes com regras determinadas em data da qual não mais recordo, o que é bastante previsível também.

Para fechar esta etapa das descrições das minhas idiossincrasias, vou contar da minha garrafa de chá. Todo dia, pela manhã, enquanto como meu sucrilhos com granola e iogurte, preparo uma garrafa de chá, que é consumida mais tarde, durante o expediente na “firma”, como diria algum senhor mais vivido. Ontem esqueci a danada, e me amaldiçoei durante o dia todo.

Praguejar, inclusive, é outra mania de velho, mas falo disso outra hora. Agora tenho de tomar meu chá, para baixar o almoço.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para Manias

  1. Guaxi disse:

    zé buscapé

  2. Thiago disse:

    É, gilvas… aproveita e pega o cachimbo e o chinelo também. 😀

  3. Nanda disse:

    é, já ouvi rumores sobre esse culto xamânico seu… companheiros da sua “firma” (sic) estavam curiosíssimos em saber os componentes do tal chá. E sobre a maneira de estender as roupas no varal.. depois que você me contou isso, mudei minha percepção sobre esse momento peculiar!

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