Futebol, este estranho.

Dia desses, caminhando pela Conselheiro Mafra, eis que passo, pela enésima vez, diante da loja de itens temáticos do Figueirense. Logo depois, vem a do Avaí. Não é questão de preferência, não, é apenas o fato de que eu estacionei o carro lá para as bandas da Ponte Hercílio Luz, e venho de lá para a direção da Praça Quinze. Ambas merecem de mim a mesma quantidade de atenção.

Em tempo, vale registrar um novo ápice de infâmia marqueteira: sob a Ponte Hercílio Luz, abriram uma casa de massagem, das sérias, em termos, claro, e ela chama-se “Ponte Pilates”. E tem dia em que eu, delirante, penso que sou infame. Eles deveriam fazer parte desta comunidade. E chega de promoção de comunidades!

Coisa bizarra aquela vitrine. Um monte de cacarecos diversos, do tipo que qualquer loja de artigos de promoção teria: bonés, chaveiros, imãs de geladeira, camisetas, e outras tranqueiras, não mande seu dinheiro agora. Relógios, bússolas, e suspeito que eles tenham uma sex-shop mocosada nos fundos. Deus, uma infâmia e um neologismo, na mesma levada! E eu sempre tenho a plena certeza de que “mocosado” deveria ser grafado com “z”, e não com “s”.

Coisa terrível é um boneco de plástico, daqueles que tentam remeter o espectador aos anjinhos de igrejas barrocas, sem sucesso, vestido com a camiseta do respectivo time. Medonho, parece o tipo de coisa que aterrorizaria o Chucky, boneco assassino, caso o encontrasse em um beco escuro da, uhm, Conselheiro Mafra.

Obviamente o futebol é uma coisa de machos do tipo Jece Valadão. Faz-se questão de não apresentar nem a mínima nesga de bom gosto. Depois de passar pelas duas bizarrices, tentei lembrar de um, apenas um, time de futebol que tivesse um uniforme vagamente decente, do tipo que tu usarias para tarefas corriqueiras, como ir ao supermercado ou lavar seu carro. Mas não, não é algo alcançável. Soube de times ingleses que tentaram, e seus uniformes ficaram um pouco superiores à qualidade do seu futebol, e, diabos, isso realmente não quer dizer nada. Alguns garotos usam estes uniformes com calças enormes, ou usavam. Não tenho mais certeza de nada.

Cara, não adianta: eu não chego a odiar, porque é perda de tempo, mas não consigo enxergar nada de relevante no culto futebolístico. Parece coisa de outro planeta, de selvagens recém-descobertos, alguma bobagem assim. Alguém mais deve se sentir assim. Outro dia eu vi um cara zoando o outro numa via pública, comentando sarcasticamente os resultados do time do outro. Pensei em como isso promove o esvaziamento de questões sociológicas. Sim, pessoas escrevem livros metidos a sérios sobre futebol e toda a idolatria que o cerca.

Desabafo feito, posso voltar ao salutar desprezo que normalmente cultivo por esta atividade.

Anúncios

Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
Esse post foi publicado em Mau Humor e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Futebol, este estranho.

  1. Pingback: A Pretensa Filosofia da Bola « sinestesia

  2. Adilene Adratt disse:

    Dizer o que? Minha alma individualista sempre quis fazer parte do conjunto: um partido político? não tenho índole para isto. Uma religião? não tenho fé para isto. Um time de futebol? Sagrou-se o Figueira…

  3. aluísio disse:

    o link do chucky, tem a foto do rei de esparta.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s