Consumindo Estilos pt.1: Hip Hop

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A batida é forte, rapidamente reconhecida. Existe quase um ranço a recobrir esta forma de expressão, tamanha a penetração nas camadas jovens, ou nem tanto, dos dias atuais. Trata-se do hip-hop ou do rap, radiografado, enquanto manifestação popular e fenômeno pop, pela edição nacional da revista National Geographic há alguns meses.

O som vem de um automóvel Honda, relativamente novo, nada que não demande origem na classe média e algumas dezenas de milhares de reais para adquirir. Assim como o rock, muito tempo atrás, o hip-hop foi absorvido pela classe média. Formas amenizadas são criadas, clipes invadem as telas de programas musicais ao lado das bobagens perpetradas por bandas de franjas emocore, ou nem isso. Tudo produto de consumo em um mercado ávido por rebeldia enlatada e inofensiva.

O cabelo do motorista é penteado para trás, e talvez o motorista nem saiba fazer o cumprimento típico de mano, aquele de passar a palma da mão sobre a palma do outro, fechando em seguida o punho, e simulando um leve soco, frente a frente. Talvez saiba, pois o processo está bem difundido, está em programas de tevê e vídeos carregados de mulheres voluptuosas que emitem vagidos sexuais exagerados. Já notou que eles contratam apenas mulheres com orgasmo contínuo para cantar em clipes de hip hop?

O garoto de classe média pode começar ouvindo as diatribes machistas do gangsta rap, onde os manos posam de fodões, falando de suas conquistas e de seus feitos no cruel mundo cruel. Mas tarde, se houver aquele envolvimento “cabeça”, o gurizão ingressa no hip-hop politizado, aquele que justifica a existência do gueto quase como se fosse uma endo-discriminação.

Sempre vai haver um crítico descolado para dizer que a batida padronizada encerra uma herança histórica que remete à África ancestral, ou algum paternalista para associar o ritmo minimalista à expressão refinada de espíritos que estariam fazendo jazz se tivessem instrumentos e técnica. Quase tenho vontade de dizer que é besteira, mas a patrulha do politicamente correto me perseguiria. Melhor parar por aqui, e fingir que MC Racionais realmente tem algo a acrescentar em termos de visão da sociedade atual, e que esta papagaiada não passa de um bando de moleques de classe média buscando afirmação em um comportamento que acaba parecendo, no mínimo, bobo.

Ah, a tirinha foi publicada aqui.

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Sobre gilvas

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2 respostas para Consumindo Estilos pt.1: Hip Hop

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