Moacyr Scliar: A Orelha de Van Gogh

A minha edição de A Orelha de Van Gogh tem uma capa em um estilo tão anos oitenta que eu não consigo entender como ela não está manchada de verde limão ou rosa choque em quadriculados negros. Eram os estertores dos anos oitenta, compreendo, então a capa recebe um tratamento estilo pop art tardio e desconsolado, e eu fico tranqüilo por não ser, ufa, um dinossauro nostálgico. Sou apenas um dinossauro.

Minha memória não estava bem formada durante os anos oitenta, de modo que eu não saberia dizer se Van Gogh era tão notório naquela época. Sua orelha, possivelmente era bem famosa, mas Van Gogh poderia ser apenas um apêndice que tinha as manhas de pintar muito bem. Vai saber.

Moacyr Scliar escreveu um belo volume de contos, coisa competente, do ní­vel que orgulha o paí­s que tanto conto gerou. A pulga, entretanto, não deixa minha orelha: poderia ser um romance, meu deus! Poderia. Todos aqueles universos poderiam ser facetas de um ínico universo, de um único entrelaçamento de vidas se apenas Scliar tivesse se decidido a ir um tiquinho mais adiante, e, diabos, colado tudo em uma unidade poderosa.

Parece-me, todavia, que a transmutação de pequenos universos em um romance demanda efeitos pouco triviais de massa crítica pouco modesta. Coisa que não sói ocorrer nos trópicos. E as pedras voam das mãos dos politicamente corretos. Ou etnicamente corretos, eu nunca saberei distinguir. Acredito que romances demandam dias trancados em casa, usando cobertores sobre os joelhos, para se manifestarem. É a minha teoria, e vou defendê-la sempre.

Que mal existe em uma pessoa assumir que o romance lhe apetece mais do que coletâneas de contos? Parece-me, mesmo antes de devorar as páginas da Arte do Romance de Kundera, que o romance habita uma cela acima, ou mais, do conto. Sei apreciar um conto, ou uma batelada deles, mas invade-me uma sensação de que poderia haver mais densidade, mais persistência, mais, digamos, “determinação”. “Determinação”, que beleza de palavra!

Termina o livro, e fico sonhando: que belezura seria se aqueles personagens todos daquelas páginas pudessem se encontrar, mesmo que não soubessem um do outro, mesmo que fossem como miragens do outro lado de uma avenida abafada, de uma urbanidade medonha.

Fico me lamuriando, quando já deveria ter me atracado com algum volume do Érico Veríssimo. Secretamente, sei o que quero, mas custo a aceitar minhas intuições.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Moacyr Scliar: A Orelha de Van Gogh

  1. información5 disse:

    Estimados amigos: La Fundación Internacional arteciudad/artecittà informa
    que, a partir del 1 de Marzo de 2008, pueden inscribirse en el Certamen:
    Artes plástico-musicales, creatividad y sinestesia. TALLER
    DIDACTICO-EXPERIMENTAL

    Castillo de los Vélez. Cuevas del Almanzora. Almería. España.

    2ª semana de Julio. 2008

    Toda la información sobre el mismo puede descargarse desde la web de la
    Fundación

    http://www.artecitta.es

    El plazo acaba el 1 de Julio y las plazas son limitadas.

    También queremos informar sobre los preparativos del Tercer Congreso
    Internacional de Sinestesia, Ciencia y Arte. Granada 2009, que se celebrará
    en el Parque de las Ciencias, nuevas instalaciones, a finales de abril de
    2009. La 2ª convocatoria MuVi (Exposición Internacional de video y animación
    sobre sinestesia y música visual), se abrirá en Mayo de 2008, que concederá
    premio a la mejor obra presentada.

    Contamos con la colaboración de la Diputación de Granada, Ayuntamiento de
    Granada, Parque de la Ciencias, Colegio de Gestores de Granada, Jaén y
    Almería, Universidad de Granada, entre otras entidades y solicitaremos,
    nuevamente, el apoyo del Ministerio de Cultura, Ministerio de Educación y
    Ciencia y Junta de Andalucía.

    Nuestro comité Organizador cuenta con los siguientes investigadores ,
    ponentes y expertos en sinestesia:

    Sean A Day (Presidente de ASA)

    Edward Hubbard (Neurocientífico de reconocido Prestigio)

    Mª José de Córdoba (Dra. en BBAA, directora de proyectos culturales de
    F.I.A.C. e investigadora en sinestesia).

    Dina Riccò (Facultad de Diseño, Politécnica de Milán, Italia)

    Emilio Gómez y Francisco Tornay (Dpto. Psicología Experimental. Univ.
    Granada)

    También contamos con los coordinadores y ayudantes de cada organismo que
    colabora con la Fundación Internacional artecittà.

    Las comunicaciones se organizarán dentro de estas siete áreas:

    Neurológica y lingüística

    Lingüística y literaria

    Artística

    Gráfica

    Farmacológica

    Educativa

    Musical

    (Para los que quieran asegurar espacio en el programa científico, deben
    respetar rigurosamente estos plazos). Ponente científico: abstracts, 1 de
    septiembre de 2008 al 1 de enero de 2009. Comunicación completa: 15 de
    Febrero de 2009.

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