When I Am King

When I am king, you will be first against the wall é o que canta Thom Yorke, a belíssima voz do olho torto, em Paranoid Android, e ele fala com o pequeno demônio mandão presente em cada um de nós. Como quase todas as pessoas normais, eu tenho tendências totalitárias, mesmo que o leitor não concorde com, ou solicite um nivelamento na conceituação de “pessoas normais” aplicável especificamente a este texto.

Na sociedade ditatorial comandada pela minha versão alternativa, existem diversas leis a serem seguidas. Elas variam do arbitrário ao cômico, passando pela auto-indulgência e também pelo emputecimento barato que aflige os adolescentes e os pós-punks frustrados, o que é, eu confesso, um pleonasmo, ainda que divertido.

Como sou desorganizado, não montei uma constituição do meu império, dado que preferi usar este tempo para pensar num visual efetivamente maléfico e intimidador; o totalitarismo pede, prioritariamente, estilo. Sendo, ficaram leis fragmentárias, que não se preocupam muito em fazer sentido em seu conjunto.

Por falar em estilo, a primeira ordem seria banir todos banners adesivos, daqueles colados nos vidros traseiros dos carros. Seriam punidos desde aqueles contendo propaganda de produtos para emagrecimento, no estilo “quer emagrecer, fale comigo” até “está estressado? vá pescar”. O objetivo central, entretanto, é erradicar a praga de adesivos gigantes do tipo “Thayanny e Uélberson à bordo”. Ainda mais se tiver crase.

Já que estamos delirando, porque não disciplinar o mercado imobiliário, onde pululam crápulas dos mais diversos calibres, aproveitando-se das dificuldades e da inocência dos necessitados de moradia? A primeira medida seria multiplicar o valor de IPTU dos imóveis desocupados devido à especulação.

Seguindo pelo mercado imobiliário, e apoiando a causa ecológica, a área construída de cada terreno não poderia passar de 50% do total. Para ser um ditador bem malvado, deveria ser considerada a área de todos os apartamentos em um prédio, e não apenas a de sua base. Neste caso, a moderação, inspirada pelo instinto de preservação, poderia levar-me a consultar um ou outro conselheiro.

Tem uma que é um xodó para mim: a proibição de formação de times de futebol com propósitos lucrativos. Aproveitando o embalo, jogo de azar: só seria permitida aposta com fins folclóricos ou lúdicos em botecos de baixa reputação. Nem tão secretamente, sou fã do prefeito de São Paulo, aquele que dizimou as placas e outdoors em sua cidade, e imitaria sua medida sem hesitar. E segue: impostos pesados sobre bandas de pagode e igrejas de qualquer tipo, implantação de chips para impedir as pessoas de verem mais de duas horas de televisão por dia, imposto progressivo e exponencial para uso de veículo automotor em dias consecutivos inversamente proporcional ao número de ocupantes…

Nesses momentos, eu volto à Terra com o ditado chinês: antes de sair consertando o mundo, dê três voltas dentro de casa. Ainda bem.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para When I Am King

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