Goldfrapp: Seventh Tree

Sabe quando um artista passa por algum aperto emocional, e resolve fazer um disco reflexivo, com tons depressivos, um disco mais tristonho do que o normal em sua carreira? Então, nestes momentos, logo vai aparecer um crítico deslumbrado para dizer as frases padronizadas “sujeito transforma sua tristeza em arte”, “a depressão de fulano se transforma em tintas para sua mais bela obra”, e por aí segue, ladeira abaixo e com orgulho. Pegou a imagem?

Bom, se pegou, pode ir para o outro extremo. O duo inglês Goldfrapp saiu com disco novo em 2008, e não é um disco doído, como aquele disco chatíssimo do Beck que a crítica indie adora incensar. Como se saísse de uma ressaca de balada, o Goldfrapp deixa o electro algo enjoativo do álbum Supernature para trás, e parte para um refrescante passeio pelo campo.

Seventh Tree não é, entretanto, um retorno às raízes. Primeiro, porque não há como repetir a surpresa de um primeiro disco tão bem elaborado, uma epopéia de espionagem com luxuriantes colorações eletrônicas retrô. Segundo, porque a dupla tem as manhas de compor um pop de múltiplas facetas, preenchendo cada álbum com diferentes conceituações. Se existe algum momento em que eles arriscam uma citação ao disco de estréia é em Cologne Cerrone Houdini, mas soa apenas como se o refrão de uma irmã de Utopia tivesse sido transplantado para uma canção do Zero 7. A canção impressiona numa primeira audição, mas logo percebe-se que não está sentindo-se bem onde está.

Filé, entretanto, é como eu chamaria este álbum. Numa descrição rasteira, poderíamos dizer que trata-se de um álbum classudo da Madonna, apesar de fazer séculos que eu não escuto um álbum da Senhora Ritchie, que está na fase “escândalos de adoção” depois de haver passado pelas fases “escândalos religiosos” e “escândalos feministas”, mantendo sempre sua força nos mercados da diversidade. Bom, é uma descrição simplista.

Predominam em Seventh Tree as baladas bucólicas, com algumas entrelinhas sutis nas letras, mas nada que fuja demais ao tradicional coração quebrado. Diferente disso é a empolgada Caravan Girl, empolgante e ensolarada. Neste tom vai Happiness, que é menos inocente do que parece. Os violões se juntam à eletrônica, e pouca percussão aparece para acompanhar, sem fazer falta. Allisson continua com a maravilhosa voz de sempre, aquela voz que me faz acompanhar até os momentos mais chatinhos de Supernature, e acrescentou alguns truques novos, deixando-a ainda mais classuda. Ah, a capa é genial. Ela parece o Napoleão Bonaparte, e continua excelente. Já está em minha lista dos melhores de 2008.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para Goldfrapp: Seventh Tree

  1. Pingback: Hooverphonic: No More Sweet Music « sinestesia

  2. Mileid disse:

    Concordo…também está na minha lista dos melhores de 2008.

  3. Vanessa disse:

    Tambem gostei de Happiness, adorei o clip com o personagem pulando e vibrando a todos que o viam, e por fim a imagem da cadeira de rodas

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