Ashbury Heights: Three Cheers For The Newly Deads

Three Cheers For The Newly Deads começa com o avanço de uma divisão future acelerada do tipo que se houve nos álbuns mais recentes do Assemblage 23, e o medo toma conta do vivente: será mais uma banda eletrônica a lançar nos cursos fáceis das altas bpms, um recurso de brutalidade a, não raro, encobrir limitações no quesito criatividade?

A sensação se mantém, incômoda, durante toda a audição de Bare Your Teeth, embora o ouvido atento possa captar potenciais interessantes entre as pancadas eletrônicas. A primeira delas é o vocal possante, que preenche as caixas com vigor aeróbico, desprezando os efeitos eletrônicos triviais que, no esforço de imprimir personalidade que não existe, acabam por criar apenas emissões fascistas distorcidas.

Para quem teve a paciência de atravessar a primeira faixa desemboca em um andamento mais lento que tira o meu dedo do forward em definitivo. Ashbury Heights merece todo o barulho que vem causando no submundo eletrônico.

O som da dupla é um exercício interessante de percepção de onde foram parar os estilhaços da implosão do positive punk, do neuromantic e dos tardios góticos. No meios dos destroços, são identificáveis matrizes recuperadas de technopop vagabundo, inspirando a lembrança de certas passagens de certos nórdicos que estouraram nos anos oitenta com canções como The Blood That Moves The Body, se é que você me entende. As sintetizações de vozes humanas, tão caras ao Clan of Xymox em sua fase atual, também se fazem presentes.

Ah, pela capa, Gary Numan não pode estar fora das influências.

Todos esses clichês são exercitados com tanto frescor que é difícil reclamar de alguma coisa. Os vocais se intercalam: ora a garota canta com os vocais do rapaz surgindo pelas arestas, ora é ele, e quase sempre, que domina as canções com sua empostada voz. Tanta energia acaba sendo um tiro pela culatra: o disco poderia ter duas canções a menos, desde que não saíssem Derrick Is A Strange Machine e I Paint Nightscapes, que são produtos maduros o suficiente para prever um difícil segundo álbum, ainda mais em um mercado infestado de gotiquices e eletronices. Felizmente, existe potencial de composição o suficiente para sobreviver fora deste maquiado gueto, como mostram as entrelinhas de Corsair. 2008 está sendo um belo ano.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Ashbury Heights: Three Cheers For The Newly Deads

  1. Edu disse:

    escreveu tanto mais ao mesmo tempo não escreveu nada com nada…..Ashbury nem faz parte do submundo da musica eletronica…vc precisa se informar mais sobre o que realmente faz parte do underground da musica eletronnica…não só dos paises europeus mais da america latina tambem como o Mexico ou Chile…ashbury é pop demais e conhecido demais para fazer parte disso.

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