Umberto Eco: Baudolino

Umberto Eco, caso observado do ponto de vista de arqueólogos culturais em um futuro relativamente próximo, seria, muito provavelmente, considerado uma idiosincracia de proporções continentais, ou até mais do que isso. Explico: existem certas convicções sobre Eco, o tipo de convicção que o coloca como um dos guardiães de uma ideologia eurocêntrica civilizadora, um baluarte contra os ignaros novaiorquinos e toda uma tropa de iconoclastas interessados apenas em cultura pop.

Longe de imaginar que Eco não aprecie cultura pop: ele gosta, mas o prato dele sempre vem com tomate seco.

Em sua nova empreitada, Eco não deixa de ser o que todos esperam que ele seja: um erudito, versado em diversos aspectos da sempre fértil idade média e conhecedor de anedotas hilárias sobre meia dúzia de ordens secretas disponíveis em diretórios populares na internet.

Porque diabos eu devo ler este livro se eu já li O Pêndulo de Foucault?

1. A trama é fluida. Fazia tempo que eu queria ler um romance de Umberto Eco, e efetivamente gostar. Sabe como é quando tu ouves o disco de uma banda, e repara demais na qualidade da gravação do chimbau? Então, certos romances do escritor italiano são assim. Entretanto, não se anime demais, pois, em mais de um momento, Eco lança mão de expedientes pouco elegantes para alinhavar sua narrativa;

2. Ainda que percorra dois terços de livro pela idade média, sobra tempo para incursões interessantes em terras imaginadas e fantasiosas. Nada que vá te deixar crescer o cabelo e gostar de vocalistas gritalhões. Dizer que Eco se distrai da Idade Média não quer dizer que ele vá chafurdar na Terra Média;

3. Repare em quando Baudolino descobre-se enganado por Zósimo, e aprenda uma penca nova de palavrões para xingar seus amigos no próximo happy-hour.

Noves fora, o que mais se ressalta em Baudolino é uma homenagem ao contador de histórias, ao mentiroso que expande os limites do que vive efetivamente ao limite de sua imaginação, e, com isso, captura a atenção de almas mais aferradas ao chão e às noções limitantes do realismo.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Umberto Eco: Baudolino

  1. babs disse:

    faz uns dois anos que li baudolino, não gamei nele. e olha que ele foi super indicado pela minha mãe…vai ver foi a maldita praga das altas expectativas.

    e quanto tempo não passsava aqui,.., e quanto ainda mais tempo que não te encontro.

    um abração, señor gilvas!

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