Justin Chadwick: The Other Boleyn Girl

A Outra, mais uma em uma série de más traduções, é um bom filme, mas suscita comparações com, no mínimo, dois filmes que eu vi: Elizabeth, A Era de Ouro, e Morte ao Rei. Situados em épocas contíguas e baseados na vida da mesma côrte, estes dois filmes apresentam um tratamento similar entre si, e diferente deste A Outra.

Talvez pelo rigor documental que pretendia mostrar, o filme sobre Elizabeth, continuação, para ser mais preciso, era insosso, imperdoavelmente insosso. Num primeiro momento, pensei em creditar todo o fracasso ao canastríssimo Clive Owen, mas penso que ele não deveria ter um único momento de orgulho em sua carreira, cujo ápice seria um justo Prêmio Cigano Igor de Interpretação Duvidosa. Apesar das atuações melhores, Morte ao Rei não escapa a uma tarde de mau humor de minha pessoa.

Sendo assim, foi uma agradável surpresa que A Outra se propusesse a pintar um episódio crucial da história britânica com cores mais extravagantes. Recheado de intrigas, traições, adultérios, alianças estranhas, comoventes devoções e desastradas estratégias, o filme mais parece saído da pena de Alexandre Dumas, cuja côrte da França aparece em um plano de fundo em certo ponto da história.

A Outra é um filme mediano, que se destaca pelo simples feito de não decepcionar. Utiliza-se do figurino suntuoso com a necessária competência, toca uma trilha que não incomoda e da qual não lembrarei amanhã, e tem umas tomadas celestes desnecessárias e bem bonitas. Adoro nuvens.

Seguindo o padrão desprovido de surpresas, a trinca de protagonistas nos dá exatamente o que se espera deles, e penso que não preciso entrar em detalhes sobre Scarlet Johansson, Natalie Portman e Eric Bana, exceto pelo fato de que este último, em seus mantos e tronos, ficou parecendo demais com o Dave Gahan no vídeo de Enjoy The Silence. Parecia que, mesmo durante alguma cerimônia de decapitação, Bana poderia tentar ser simpático, e, até mesmo cantar alguma coisa. Medo. Jim Sturgess foi o Jude de Across The Universe, e é outro que parece pronto a cantar a qualquer momento. Sério, já imaginou ele levantando-se diante do machado do executor, e cantando Help? Curiosamente, quem canta, na vida real, é Johansson.

Eric Bana, apesar do bom desempenho, poderia ser facilmente substituído pelo canastrão tupiniquim José Mayer, sem prejuízos para a caracterização de Henrique VIII, o Pegador. Cara, o homem traçava tudo que aparecia pela frente! Agora, insubstituível é Kristin Scott Thomas como a esposa do perdedor e mãe das crias que chafurdam na tragédia. Ainda que Ann Torrent seja preciosa como Catarina de Aragão, Thomas leva ao extremo a qualidade do seu papel, mesmo dentro de uma trama de excelentes coadjuvantes.

Noves fora, o filme discorre sem sobressaltos ou trancos, e nem mesmo o fantasma, do que sabemos que acontece a seguir, apareceu.

***

Não fosse interessante pelos critérios tradicionais, A Outra ganharia, em minha apreciação, dois valiosos pontos pelos trocadilhos. Primeiro, é difícil não pensar no tradicional arranjo de flores japonês quando se pronuncia Eric Bana. Segundo, porque a palavra “Bolena” é tremendamente apropriada em um filme onde rolam diversos momentos do mais antigo esporte do mundo.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Justin Chadwick: The Other Boleyn Girl

  1. Izabel disse:

    Poderiamos ver um filme juntos. desde que vc. não faça cometários durante a exibição :-0

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