Penguin Cafe Orchestra: Signs Of Life

Não lembro exatamente como foi meu primeiro contato com a Penguin Cafe Orchestra. Pode ter sido, inconscientemente, através da trilha das primeiras propagandas do Forda Ka, no começo dos anos 90. O que tocava era a peculiar Music for a Found Harmonium, que capturava o ouvido em suas linhas esdrúxulas.

O primeiro contato consciente, entretanto, veio apenas quando adquiri uma cópia de um CD de amostras da gravadora Wyndham Hill, conhecida distribuidora de músicos de new age. Tratava-se de Southern Jukebox Music, uma peça melancólica do tipo que pessoas divertidas escreveriam.

Ironia, então, como sói à vida toda: Simon Jeffes, mentor da Penguin Cafe Orchestra, lamenta confundirem sua música com o estilo predileto dos leitores de Paulo Coelho. Como um outro esquisito, o que criou o Durutti Column, Vini Reilly, embora os destinos semelhantes destes bons compositores não devam ser confundidos com sua produção: Jeffes possui uma paleta de cores mais ampla do que a de Reilly.

Neste ponto, apesar da música ser instrumental, já era possível perceber a intensa atividade intelectual que cada canção tinha por trás de si. O longo intervalo entre os álbuns, observando do tempo atual, é outra pista. E o que dizer das capas surreais, em que pingüins com corpos aparecem em cenas cotidianas, dando um efeito egípcio perturbador?

Em Signs of Life, Jeffes lança o seu disco menos experimental, provavelmente. As esquisitices, é claro, estão presentes, mas se mostram por sutil filtro de introspecção. O resultado são telas pastorais em pinceladas abstratas. A escolha dos temas reflete uma opção paisagística. Fechando os olhos, cada canção evoca a sensação de um certo espaço, embora eu suspeite que ouvir este álbum sentado em meio ao capim em uma colina seja uma experiência interessante.

O ponto fora da curva é a bem esquisita Wildlife, que fecha o álbum com uma reprodução de som ambiente extremamente conceitual, e que me fugiu à compreensão. Um ponto baixo aceitável em um álbum tão bom. Os destaques ficam para a já citada Southern Jukebox Music, e para The Snake and The Lotus, que capta um certo Oriente sem as babaquices místicas e maneirísticas que atingem boa parte das tentativas de musicar aquele lado do mundo.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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