Hooverphonic: The Magnificent Tree

A tarefa mais difícil, ao falar de The Magnificent Tree, terceiro álbum do Hooverphonic, é escapar de Mad About You. Esta canção é o single deste álbum, e deixa pouco espaço para qualquer outro esforço. Vindo logo depois da tímida e contida Autoharp, Mad About You desvia bruscamente o andamento inicial do álbum; o que poderia ser um exercício de coldwave com tintas de chillout macabro é soterrado por uma canção de crooner, luxuosa e chique. Geike Arnaert voa ampla e livremente sobre um tema perfeito para ouvir em um boteco enfumaçado depois de metralhar alguns capangas da outra facção mafiosa. Arnaert é a loira no palco, apenas mais cinética do que o clichê do filme noir.

A fofice de Waves soa como um filler, e Jackie Cane, um eco seco e de marcação acirrada, porém, um eco, tornando sintomático o título do quarto álbum. A faixa-título entra neste momento, quebrando para a segunda parte do disco, tomando distância, flanando indiferente, neutra.

Esta segunda parte é densa, como se revisitasse o primeiro álbum com uma visão de criação, e não de reciclagem de formas vigentes. Os teclados maníacos de Vinegar & Salt sublinham os desencontros do casal inevitável ainda na atmosfera noir. Duendes aloprados populam Frosted Flake Wood, e rodam um musical psicodélico em minha cabeça toda vez que tocam em minha vitrola mental. O dueto com Arnaert, nesta canção, garante uma inserção funcional da voz masculina, o que não ocorria em Blue Wonder Power Milk.

Every Time We Live Together We Die a Bit More é o mais próximo que o Hooverphonic pode chegar de Portishead: teclados do Fantasma da Ópera, ruídos fantasmagóricos, vocoder no vocal da musa torturada, vozes atravessando a mixagem em estéreo, baixo vazando pelas cordas estrangulantes.

Out of  Sight tem cordas memoráveis e épicas, e é estranho que a letra caminhe para outro lado, resultando numa canção que teria tudo para funcionar naqueles auges emocionais de filme gringo, entre duas cenas de perigo, em que os protagonistas descobrem que a sua força interior existe, e, ainda mais, se expande quando estão juntos e unidos. oh. Uma pena, entretanto: com outra letra, poderia ser a trilha para alguma filmagem audaciosa das lendas de Avalon, por exemplo. De qualquer forma, Arnaert canta you and me de uma forma arrepiante, e a repetição apenas expande a sensação.

Pink Fluffy Dinossaurs é pop como seu título promete, mas de um jeito diferente do que se poderia esperar, e L’odeur Animal termina o disco com uma cara de ressaca. Desnecessária. Corro para ouvir Mad About You de novo. Perfeita. Trouble is my middle name, but in the end I’m not too bad, deliciosa. Até mesmo durante o solo de marimba.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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4 respostas para Hooverphonic: The Magnificent Tree

  1. Pingback: Hooverphonic: No More Sweet Music « sinestesia

  2. lilian disse:

    Dica de leitura…Textos ácidos e sarcásticos, pra quem quer ficar por dentro dos assuntos políticos e dos últimos acontecimentos de forma leve.

    http://www.mosaicodelama.blogspot.com

    Boa leitura!

  3. gugga disse:

    Hi Gilvan! Don´t really understand anything here hehe, but you have many good links here on the right 🙂
    Hugs and kisses from Denmark,
    Gugga

  4. marcelo disse:

    Enquanto isso , o pessoal da Vila Mariana assistem ao “Showzaço” do Kanye West !!!!! Eta povinho descolado!!!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Tu ta inspirado em rapaz!!!!! Vou ver se compro esse Hooverphonic , a capa ja vale uns trocados !!!

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