White Lies: To Lose My Life…

O disco parte de um núcleo como o de Burning From The Inside. O dínamo corta para a canção, que, entretanto, passa longe do dub que era a natureza segunda do Bauhaus. Assim como Antonin Artaud, a banda encabeçada por Peter Murphy não se faz reproduzir pelos representantes do post-punk no final da primeira década do século 21. Ainda é o Joy Division a encantar os filhotes, com sua apresentação fraturada; a teatralidade é vista como algo cafona agora.

Numa segunda camada é ressaltado o fantasma, dezenas de vezes ressuscitado, do Mission UK. Separando as partes da receita, as guitarras e os baixos ficariam com a banda de Wayne Hussey, e os teclados e as baterias, com a banda de Manchester.

As letras são levadas a um limite do sorvetão na testa: o funeral de um amigo, o sangue dele nas mãos dela, os soldados intocados, as paisagens cinzentas, os disparos contínuos como fuzis, uma galáxia de questionamentos, prisioneiros de guerra, os teclados revividos de Atmosphere em Fifty In Our Foreheads. O registro vocal é mais agudo, mas busca a expressão de angústia de Ian com insistência.

A segunda faixa é poderosa, e dá nome ao disco. As letras são emblemáticas, embora a canção possa soar um pouco demais com She Wants Revenge. Ele canta “he said to lose my life or to my love, that’s the nightmare I’m running from”, “let’s grow old together and die at the same time”.

Em outra canção, “your eyes like glass mistakes” ecoam como se fossem apelos às alturas, com teclados estratosféricos como nas baladas do Bob Smith, descendo aos bosques de Emiliana Torrini ao declarar “I almost died”.

A capa do álbum, assim como as dos compactos, estão encharcadas daquela percepção que o New Order soube preservar nos seus primeiros discos: impessoalidade, gráficos, imagens abstratas, fotos distorcidas pela retirada de elementos. Sintomático.

A imprensa inglesa lança incenso sobre eles, e as pessoas normais bocejam diante disso. Daqui a alguns meses pode ser que saibamos se eles sobreviverão como a pequena banda empolgada que são, ou se sucumbirão ao fardo de salvar o rock mais uma vez. Por mim, tenho certeza apenas de que eles serão a banda da semana aqui no meu lastFM. O resto é bobagem.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para White Lies: To Lose My Life…

  1. Samuel disse:

    Achei o White Lies bacana. Não mais do que isso. Muiiiiiito parecidos com Glavegas, She Wants Revenge, Editors…quando os escuto um pouco já vou atrás dos velhos Joy e Bauhaus. Quanta diferença. Mas é legal esse tipo de sonoridade serem abordados novamente por bandas jovens.

  2. marcelo de almeida disse:

    Estou vendo que vou ter que comprar para ouvir!!!Vou morrer em alguns R$ na london calling ou cd point, tô fudido !! Mas quando gosto do texto , tenho que ouvir o som!!! nao tem jeito…..

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