Esquetes

Ocorreu-me uma idéia para um pequeno esquete de humor semana passada. Motivado pela cena de O Cemitério, de Stephen King, em que Louis e Goldman trocam sopapos durante o velório de Gage, filho do primeiro e neto do segundo, pensei na balbúrdia que o cenário não pede.

Em seguida veio a idéia de um personagem que iria impor ordem a velórios. Poderia ser um mano da periferia, um reacionário aposentado ou mesmo algum gangster nas horas livres; o ponto é que ele entraria velórios, sem ser convidado, e imporia suas próprias noções de como se comportar em uma ocasião tão séria. Pensei em extrair risadas dos paradoxos morais inequívocos de uma situação que exala humor negro, mas pensei por pouco tempo: a idéia é ruim.

Dado que nunca me impus metas como a de ser um bom criador de humor, mas antes um anotador de situações reais a romancear, não me incomodei. Nem mesmo com a perspectiva de que minha idéia era pior do que as piores em um programa como o Zorra Total. Pode ser que você não tenha visto este programa, mas posso te garantir que os padrões são baixos por lá.

Talvez não tão baixos, entretanto. Na última vez em que vi Zorra Total, foi na tevê de 14 polegadas do terminal rodoviário de Canoinhas, num frio obsceno, depois de visitar minha avó, então em um leito de hospital. Alguns quadros eram realmente ruins, buscando uma reciclagem rasa de números musicais com piadas sobre homossexuais ou as clássicas picardias pueris, no caso, uma guria gostosa por trás de uma cerca num cenário rural.

Em alguns momentos, todavia, a mediocridade cedia um pouco, e havia algum esquete bom. Confesso que cheguei a rir um pouco, apesar da situação. O ponto, percebi, é que eles mantém a linguagem do teatro, aquele com a quarta parede aberta ao público, e investe em quadros que necessitam de alguma interação e nenhuma repetição. O erro principal, nos casos em que a piada funciona bem, é a repetição. Tangos e Tragédias só é bom quando se vê com dois anos de intervalo; se fosse a cada semana, eu ia querer arrancar a cabeça deles e jogar numa valeta. Espero, então, que os senhores da Sbórnia não encampem, em sua aposentadoria, nenhum programa na RBS do Rio Grande.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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Uma resposta para Esquetes

  1. Raphael disse:

    Gostei do seu blog. Culturalmente diversificado.

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