Capitalismo pt I: Monopoly

O encarte de Airbag EP, do Radiohead, traz um encarte cheio de surpresas. São chistes mau-humorados, recheados de facetas políticas, considerações existenciais e rabiscos paranóicos, como seria de esperar de um bando de fuckin’ stoodents, como diria algum dos Galagher. E há um trecho de Noam Chomski, que versa sobre a necessidade, tão humana, de imaginar que alguém é o capitão do barco, que alguém sabe o que está acontecendo.

Esta necessidade, suspeito, é o que nos impede de agir, mesmo tendo as mazelas do capitalismo sendo atiradas em nossa cara todos os dias. Qualquer criatura que tenha jogado Banco Imobilário, e que, num segundo requisito, possua capacidade de raciocínio razoável, percebeu que o crescimento contínuo, em um ambiente fechado, não é sustentável. Quem enriquece não tira de uma fonte infinita, mas de outras pessoas. Destruir a vida de um amigo, virtualmente e numa tarde de sábado regada a pipoca e guaraná, pode causar, no pior dos casos, uma discussão e um par de pessoas bicudas; a vaca se lança à lama quando existem pessoas reais sofrendo dramas reais para que alguns poucos possam desfilar de Ferrari e Manolo Blahnik.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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4 respostas para Capitalismo pt I: Monopoly

  1. Roberta disse:

    oi! q massa essa ilustração. Bem legal seu blog tb.

    Abs,

    Roberta

  2. Pingback: Capitalismo pt. II: Impermanência « sinestesia

  3. Christian disse:

    Errata: «O problema e o valor de certas ponderações estão…»

  4. Christian disse:

    O problema e o valor de certas ponderações está no ponto a que elas nos fazem chegar.

    As reticências apontam mais a necessidade de suprimir todo o capitalismo — com Ferraris e Manolos Blahniks, mas também com pipocas e guaranás — do que de avaliar o que está errado nele. Se deixar, será um Chomski a decidir o rumo de todo o planeta.

    O caminho, penso, é não deixar reticências e seguir adiante com a observação e com o raciocínio, por cansativos que sejam.

    Talvez se chegue, por exemplo, no questionamento do luxo e da superfluidade — para citar dois aspectos especialmente infelizes do capitalismo.

    Por exemplo: se existe alguma medida que torne uma Ferrari necessária. Ou: qual a espessura da linha infinitamente fina que separa a necessidade do desejo. Ou ainda: se o capitalismo é inerentemente mau ou se se trata apenas de uma tendência natural da sociedade de produzir bens de consumo e de trocá-los.

    E daí não se perceberá apenas o que vem depois de ponderações desse tipo, mas também aquilo que as precede.

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