Andy Yorke: Simple

Até dar de cara com Simple, primeiro disco da carreira solo de Andy Yorke, eu não sabia que sentia tanta falta do Unbelievable Truth, sua antiga banda. Andy não é Thom, assim como Unbelievable Truth não é Radiohead, e o disco de Andy não deixa de ser, no final das contas, um disco do Unbelievable Truth. Andy, depois de uma de suas longas temporadas na Rússia, voltou a conversar com Nigel Powell e Jason Moulster, seus antigos comparsas. Powell estava tocando seu, bem insosso, projeto The Sad Song Co., e Moulster estava tocando baixo em algumas bandas por aí.

O disco parece ter sido parido no final da década de noventa, entre o primeiro e o segundo discos do Unbelievable Truth, e não em 2008. Um passo atrás? Talvez. O resultado, entretanto, é um Andy Yorke bem mais confortável em seu papel de compositor e cantor. Esta tranqüilidade é crucial para o folk que ele executa, e sobre o cai corre tão bem a sua bela voz.

Os anos passaram, mas Andy continua fiel ao seu credo instrumental: músicas calcadas no seu violão, eminentemente acústicas, com intervenções sutis de baixo, baterias, ocasionais teclados, e um violoncelo quase constante. Nada de eletrônica, efeitos ou solos: o título do álbum é coerente, ao extremo, com seu conteúdo.

Nas letras, a mesma coisa. Andy não quer mudar o mundo, como seu irmão; no máximo, resmunga. No geral, fala do cotidiano de alguém sensível, que presta atenção aos detalhes mínimos. Ainda que as letras sejam seu confessionário, ele não constrange seu ouvinte com indiscrições, preferindo a sina de ser um companheiro à distância.

Não sei exatamente a razão, mas gosto muito de Mathilda, em especial. O disco, todavia, tem um clima uniforme, embora constituído de canções bem diferenciadas. Domina-o um sentimento bucólico, como se Andy fosse um poeta arcadista, cercado de ovelhas felpudas e colinas desoladas enquanto belas. Vez por outra, as coisas podem ficar mais arrastadas, como em Diamant, mas aí o violoncelo complementa a esforçada voz de Andy, acrescentando camadas que propiciam um ambiente de apreciação. One In A Million te arremessa num passado somente teu, e deve fazer o mesmo com outros ouvintes, cada qual em seu pretérito. Let It Be True te dá um susto quando, por cima do violoncelo, aparece um acordeão, e você percebe uma assustadora semelhança com uma certa banda gaúcha, e você torce para o Andy voltar logo, e te dar a certeza de que o Thedy Correa não vai surgir na próxima esquina da música.

Simple é uma bela surpresa atrasada, emergindo quando eu já nem esperava mais nada de Andy Yorke.

Anúncios

Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
Esse post foi publicado em Música e marcado , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Andy Yorke: Simple

  1. turnes disse:

    ai tá desculpa!
    adoro ter seguidores.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s