VNV Nation: Of Faith Power and Glory

Of Faith Power and Glory, ao ser ouvido de uma levada só, aquela de avaliação, enche o ouvinte de esperança. Depois da enrolação que foi Judgement, último disco do VNV Nation, uma pergunta me ocorria com freqüência era “Ronan Harris vai se erguer novamente?”. Pelo número de canções com vocal, e a julgar pela coerência do último trabalho, há esperança.
Pro Victoria é uma enrolação típica de álbuns eletrônicos, aquela entradinha pomposa que acaba dando uma pontada de sono no indivíduo. A Sentinel cabe o papel complicado de mostrar a que o disco veio, algo que Chrome, em Matter + Form, fazia com galhardia e folga. Aqui a coisa não funciona tão bem: os timbres são bons, a batida é empolgante, mas o refrão não chega a empolgar realmente, e as melodias só pegam embalo lá por dois terços da canção.

Tomorrow Never Comes é mais agressiva, entra com os dois pés nos alto-falantes. Suas três camadas de melodia comprovam que Harris resolver fazer sua lição de casa. Se as letras não chegam a escapar da armadilha do clichê do futuro apocalíptico, não há do que reclamar, dado que este é um dos pilares do future pop mesmo. Dá para imaginar Harris rosnando sobre as bases eletrônicas em palcos europeus cercados de pessoas de preto.

A levada arrastadona de Ghost injeta gelo seco no ambiente. As camadas são convincentes, com uma sensação sensorial que remete a uma boa caminhada matinal em algum deserto marciano. Art Of Conflict fica um pouco abaixo na escala: os tempo do primeiro disco já passaram, e a faixa, com seus vocais militares, fica deslocada em tempos de Harris redimido. Deve ser efeito colateral do consumo excessivo de raves.

Defiant parece uma versão cibernética de uma canção da banda Cavalinho Branco, conhecida por animar bailes na Oktoberfest de Blumenau. Dado que, apesar de irlandeses, os caras do VNV Nation têm um pé na Alemanha, faz sentido. Animar pessoas bêbadas como gambás pode não ser tão difícil, mas é uma causa social válida, e que exige uma dedicação exemplar.

Verum Aeternus e The Great Divide me fazem pensar que Ronan Harris está ouvindo Placebo nos últimos tempos. As duas tem uma levada rápida e descompromissada, prontas para o consumo automobilístico em dias cinzas com Sol no horizonte.

Evite fazer imagens mentais durante From My Hands, ou pode aparecer Harris de vestido preto ao lado de um piano com um vaso e uma rosa vermelha em cima. O vestido tem uns brilhos, e Harris está usando batom vermelho… droga, já fiz a maldita imagem!

Where There Is Light é tão descaradamente U2 que o título já entrega antes de começar aquele andamento mezz acelerado e os riffs melancólicos com cara de que o dia vai enfim melhorar. Bono não deve reclamar, afinal, historicamente os irlandeses já mostraram que costumam se entender tão bem!

Fechando a bagaça: já repararam como a capa lembra a do disco de estréia do White Lies?

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Sobre gilvas

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