Cláudio Torres: A Mulher Invisível

Ontem, durante o apagão local que se abateu sobre o condomínio Itacorubi II e redondezas, ruminei na escuridão a sessão de cinema nacional pirata que tive na quarta-feira. A Mulher Invisível, que havia sido recomendado por colegas de trabalho, os quais insistiram, inclusive, para que eu o visse. Uma indicação anterior, de Estômago, tinha sido excelente, e deve ser por isso que embarquei na melancólica incompetência que esta pretensa comédia romântica brasileira representa.
O filme é estrelado por Selton Mello, o pau-para-toda-obra do cinema brasileiro, e isto se aplica ao cinemão derivativo dos novelões da Globo e também a certas hipérboles irônicas que compõem um possível cinema independente de produção tupiniquim. Lá na capa está Luana Piovani, fetiche de meio Brasil, e que, convenhamos, não é lá tudo aquilo que os fãs gostariam que fosse, a ponto de ser possível teorizar que o Dado Dolabella tenha se sentido enganado mesmo.
Descrita a dupla que pilota o carro-chefe do filme, podemos ir ao ponto: sua interpretação é pateticamente ruim. Sabe aquela interpretação que te gera o sentimento doloroso de vergonha alheia, e não apenas a raiva por estar perdendo tempo vendo um filme ruim? Eu não lembro de nenhuma interpretação da Piovani neste momento, então nao consigo esboçar uma verdadeira decepção. Melo é que me preocupa: olhando para o retrospecto de filmes dele, consigo lembrar de alguma coisa com o Guel Arraes, e isto não o redime, dado que o papel era caricatural. Caricatura é algo relativamente simples, e é a base de qualquer filme de animação 3D que pretenda funcionar.
Culpar a dupla seria injusto, uma vez que temos uma tradição tupiniquim de péssimos diretores de cena. A interpretação inverossímil é o que se deve esperar de um filme brasileiro, apesar das notáveis exceções, Meireles no topo delas. Entretanto, o que é aquele papel do Paulo Betti? Horror, horror, não dá para acreditar em nenhuma cena de que ele participa. A tragédia é tanta que, por comparação, Wladimir Brichta acaba parecendo um bom ator.
Em tempo: vivo confundindo o primeiro nome do Wladimir Brichta, o que, com este sobrenome, não é de surpreender. O cara deve ter sofrido horrores inomináveis em seus tempos de primário.
Fernanda Torres também é uma ilha de interpretação efetiva, apesar de fazer uma simples variação de seu papel em Os Normais. Mérito próximo a zero, portanto.
Final do filme chega, e eu ri duas vezes. Sabe aquela risada que sofre para nascer em meio ao constrangimento? Essa, bem essa. Então teorizei de novo, e pode ser que eu me arrisque a testar minha teoria. Os produtores de Mulher Invisível montaram dois filmes, e vazaram esta cópia, que eu vi, para os tarados de P2P Brasil afora. A outra versão, com interpretação decente, fotografia sem assepsia, trilha interessante, atores convincentes, esta foi entregue para os cinemas, e dia desses aparecerá nos balcões de DVD das Americanas. Seria uma boa zona de conforto, e me deixaria confortavelmente flutuante.
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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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7 respostas para Cláudio Torres: A Mulher Invisível

  1. Malcon Bauer disse:

    Eu detesto esse filme. A coisa tem duas horas. Demora 30 minutos pra Mulher invisível “aparecer”. E após 45 minutos, a coisa já vira uma tentativa drama existencial pelos próximos 45. E os 45 minutos que deviam ser realmente engraçados também não são.
    Uma bobagem. Mas eu lembrei de uma interpretação decente da Piovani: O Homem que Copiava”. Gosto do Jorge Furtado como diretor. “Saneamento Básico” é ótimo!

  2. Humberto disse:

    eu não vi o filme, nem me animei.

    mas estou rindo horrores do seu post! hahahahaha.

    Luana é ridícula. afe. fim.

  3. Ana Corina disse:

    Mas, homem, vc assiste a um filme desse tipo esperando algo? Peguei na locadora, gastei um bônus com ele, mas não me arrependo, porque é a mesma coisa de comer batata frita de boteco de 5a: vc já sabe que é uma merda, mas pede mesmo assim. Como não esperava nada menos que um filme bobíssimo e atuações pífias, não dei mta bola, não e ainda dei algumas risadas, mesmo vendo sozinha [o q normalmente me impede de rir muito].

    😉

  4. Tá por dentro! Andas lendo a Caras é? 😀

  5. Jux disse:

    poderia ser pior: o ator poderia ter sido o Murilo-B, nosso Steven Segall canarin! 😛

    • gilvas disse:

      andei passeando por algumas clnicas mdicas nos ltimos tempos, ento devo ter absorvido caras por osmose. porque abrir e ler, s a quem acontece, minha predileta!

      o murilo b. tem um filme bom, onde aquela cara qualquer nota dele funciona: o homem do ano. steven seagal foi demais, top na paralisia facial rliudiana.

  6. marcelo de almeida disse:

    “selton Mello” pau pra toda obra !!! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk,bom muito bom!!!o bom dele e que e discreto , se nao tava fudido.

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