Placebo: Battle For The Sun

Ninguém falou do último disco do Placebo, Battle for The Sun, o que torna sintomático o seu título. Condenado à condição de dinossauro do rock após pouco mais de dez anos de carreira, o trio encabeçado por Brian Molko e Stefan Olsdal, não consegue escapar da ironia nem quando se trata de ter um baterista fixo: um terceiro nome se ocupa das baquetas neste disco.

Falar de volta às origens no segundo disco depois da tradicional coletânea de compactos da banda madura é outro clichê que se aplica aqui, mas com força reduzida. Depois de ter tocado com seus ídolos, como Frank Black e Bowie, ter recebido participações de outros, como Michael Stipe, e ter tentado mesclar o som com alguns artistas menos conhecidos com o claro objetivo de se manter jovem, chegou a hora do Placebo sossegar o facho, e se dedicar ao som que sabe fazer, sem maiores firulas. Até porque virtuose não é o caso aqui, o que é coerente com um cara que sempre estufou o peito ao dizer que seu método se resume a “nunca ter aulas de guitarra”.

Battle for The Sun tem outro tique típico de alguns discos do Placebo: a faixa de abertura é sem graça, de modo que eu sempre começo a audição pela faixa-título, a terceira na contagem. Sim, a segunda faixa é o som da banda com algumas descaracterizações pouco atraentes, então temos um bom disco de onze faixas para ouvir. Voltando à faixa-título: guitarras firmes, crescendo do ritmo atraente, e cordas para dar um glacê épico: excelente.

For What Is Worth pega a banda ainda presa aos anos noventa na temática: Molko sempre tem pessoas mais ferradas do que ele para puxar a orelha, então deixe a letra de lado, e se divirta com o andamento acelerado e bem resolvido, com os vocais de apoio oscilando entre o glam e o punk purpurinado que caracteriza a banda tão bem, e você nem vai perder o pique quando a fraca The Devil and The Details aparecer: ela logo estará no retrovisor com você mandando uma quarta nervosa ao som divertido de Bright Lights.

Speak In Tongues é marcada por um tom um pouco mais choroso de Molko e uma pegada um pouco mais quebrada da banda, que, ainda assim, se restringe aos seus limites, para então chegar ao ponto alto do disco, The Neverending Why, com paradinhas estratégicas, metais e outras traquitanas sonoras perfeitas para a diversão descompromissada. Daí em diante a coisa segue regular com a rouca disco apressada de Julien e mais uma penca de cordas épicas, e você, espectador de outras eras, já sabe onde o disco vai parar.

Battle for The Sun é um disco para pessoas que ainda apreciam a voz e as frivolidades de Molko. Quem o odiava antes vai continuar odiando, e nem precisa se dar o trabalho de ouvir este disco; o andrógino líder do Placebo parece finalmente não se importar com aprovação.

Mais? Anos atrás, eu fui no show deles. E sobrevivi.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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