Reciclando o Resmungo Anual

Um resmungo não faria diferença no meio de tanta euforia expressada por fogos e apupos na vizinhança da minha casa. Ainda que fossem ouvidos, não difeririam dos que emiti em épocas passadas.

É interessante: por mais que eu resmungue, o mundo continua tão idiota quanto sempre. Houve pouca variação nos grupos de pessoas abobadas a soltarem foguetes, assim como as novelas deste ano me pareceram idênticas às do ano passado. Posso ter confundido os horários, de modo que identifiquei traços de Malhação na novela das sete. Pode ser um efeito da minúscula amostragem que este escriba suporta de exposição à tevê.

Reclamo, mas me divirto. A tevê, ainda mais a aberta, fornece diversas oportunidades ímpares de diversão. Além das patuscadas absurdas das óperas saponáceas brasileiras, algo um tanto óbvio e de paladar abaixo do que um verdadeiro pedante exige, há filmes dublados, sempre prontos a alimentar o fã de Batiman que habita meus meandros mentais.

Dia desses eu estava passando pela sala, e a tevê exibia A Vingança dos Sith, o capítulo final da série de cinemarketing do George Lucas. Aliás, eu nunca entendo direito se Guerra nas Estrelas é uma série que acabou rendendo uma grana absurda em bonequinhos, ou se a idéia do Lucas, previamente, já era a de estufar o traseiro de verdinhas por conta do culto nerd a sua duvidosa obra.

O fato é que Ewan McGregor, um dos atores de cinema que ainda possui prestígio junto a este rabiscador de pedantismos, tem de mostrar à personagem de Natalie Portman que seu namorado canastrão é também um cafajeste traidor. Ela já devia prever que o jovem Anakin escorregaria no quiabo do lado negro dado que era um ator de quinta categoria, e isto faz com que se perca o efeito hilário da dublagem. McGregor, um bom ator, em compensação, quase causou-me um embolia ao responder, depois de longa pausa dramática, algo na linha “Ele matou crianças.”. Lucas deve ter escrito este diálogo ruim assim como outros ainda piores, mas a dublagem anaboliza o efeito de humor involuntário da peça, tornando desnecessária e inviável uma sátira. Talvez seja estratégia.

McGregor deve ser perdoado, pois, como qualquer mortal, precisa pagar suas contas.

***

Este texto não fez o menor sentido? Calma, eu era bem mais coerente quando não tinha cansado de resmungar. Neste ano, a única chance é ser visitado pelos fantasmas dos Natais passados:

Fantasma 1

Fantasma 2

Fantasma 3

Fantasma 4

Fantasma 5

Dickens que me perdoe, mas eu não lembro dos nomes dos fantasmas, embora eu saiba que são menos do que cinco. E, noves fora, eu nem gosto de Conto de Natal mesmo. Prefiro Oliver Twist, ou Aventuras de Mr. Pickwick.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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