Bat For Lashes: Two Suns

mara maravilha + pocahontas = natasha khan

Em 2009 eu me surpreendi com, pelo menos, dois hypes musicais. O primeiro deles, já devidamente documentado aqui, foi o White Lies. Tal fato surpreendente me animou a experimentar o incensado disco mais recente de Natasha Kahn e seu projeto Bat For Lashes.

A abertura do disco me lembrou um pouco da abertura do único disco do projeto Frou Frou, de Imogen Heap, mas Sleep Alone define melhor a praia da moça. Ela resgata os anos oitenta pela sua peculiar vertente mista do dark pop, algo como um equivalente sônico do filme Donnie Darko, cuja estética ela revisita num vídeo do disco anterior, o tenebrosozinho What’s a Girl To Do.

Se fosse para definir a pedra central do acervo de influências de Khan, eu diria que ela se baseia em Siouxsie, e é bem mais bonita, pelo que as ilustrações do disco Two Suns mostram. Depois de ver alguns vídeos, entretanto, observei que ela se parece demais com a Mara Maravilha, antiga apresentadora de programa infantil e agora pastora de alguma igreja evangélica. A baiana em questão apareceu peladona na Playboy, e hoje é uma das cinco edições clássicas da revista no Brasil. Mas deixemos a sociologia tupiniquim de lado, e voltemos à música pop.

Em Daniel ela mostra uma faceta mais próxima de outra revivalista dos anos oitenta, Ladyhawke, o que não é demérito para nenhuma das duas, embora muitos roqueiros (sic) possam torcer o nariz. Peace Of Mind traz gospel na mistura, e é um bom exemplo de como a multiinstrumentista consegue criar belas canções. Sua voz treinada plana bem por cima das estruturas eletrônicas de timbres bem pesquisados e bem arranjados, resultando em uma sonoridade madura e bem resolvida.

Gosto particularmente de Siren Song e sua epifania intimista, algo como uma Tanya Donelly sem o sotaque caipira de Boston e uns teclados a mais. Pearl’s Dream é uma boa canção, mas o vídeo a ofusca: Khan canta com duas perucas enormes sobre seus ombros, parece alguma feiticeira maluca da Era Hiboriana. Fechando o leque de influências, escute ainda a tribal e divertida Two Planets, que bebe na fonte de Björk, o modelo mais bem acabado de cantora maluca que eu conheço.

Duvido que 2010 me surpreenda mais do que 2009. É uma provocação, 2010. Por favor.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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4 respostas para Bat For Lashes: Two Suns

  1. TURNES disse:

    adoro. e quem se importa com a opinião de roqueiros (sic)?

  2. Ana Corina disse:

    A moça me lembrou a “Tiazinha”…
    😉

    • gilvas disse:

      bat for lashes não desce de primeira, é um acepipe de sabor peculiar e especial, algo raro no mainstream atual.

      e, pou, tiazinha foi sacanagem, mas eu confesso que, depois do comentário, fiz um exercício mental para ver a natasha khan com máscara preta de bat-girl.

  3. Milene disse:

    Acho a Natasha lindíssima!
    Sabe que as primeiras vezes que ouvi Bat for Lashes eu não gostei muito? Meu marido adorava e eu até reclamava de ter que ouvir rsrsrs. Mas depois de várias escutadas com atenção eu consegui entrar no espírito das músicas e passei a curtir. Acho que a menina é bem viajona e utiliza uns elementos muito legais. E a voz dela é fofa.

    E o mundo é mesmo pequeno, uma das minhas bandas preferidas tocou Daniel uns dias atrás: http://www.youtube.com/watch?v=j9v8MLxfEUg
    A vocalista do The Gathering mudou e eu ainda estou me acostumando, mas achei que a música ficou bem boa.

    Abração!

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