Cha-cha-chá

Jura?

São oito da manhã, e estou sendo expulso da piscina pelo temível Esquadrão Cocoon.

Para quem não sabe, Cocoon é um filme oitentista que poderia ser classificado entre as prateleiras de ficção científica e filme para a família. Estrelava Steve Guttenberg, conhecido por Loucademia de Polícia, Três Solteirões e Um Bebê, além de Short Circuit, e uma tropa de velhinhos simpáticos, os quais ficavam subitamente reenergizados depois de nadarem na piscina do clube. Sim, a piscina guardava casulos de alienígenas em suspensão, e Guttenberg pegava a mocinha da piscina. Basicão.

Para quem não entendeu, Esquadrão Cocoon é como eu chamo o grupo de hidroginástica do clube onde nado.

O Esquadrão Cocoon tem uma instrutora. A moça distribui apetrechos de isopor e comanda os movimentos do grupo, e também proporciona a trilha sonora, que é o mote do texto de hoje.

Escuto a música do radinho dela apenas enquanto estou me alongando ou quando está muito alto, e chega ao vestiário. Pela minha amostragem de mais de um ano, observei que ela considera Jovem Pan o canal mais apropriado para entreter e motivar o pessoal a se balançar a na piscina.

Com exceção de um ou outro indivíduo em recuperação de lesões, o Esquadrão Cocoon do meu clube, assim como de outros clubes, é composto prioritariamente de senhoras acima de cinqüenta anos. Tenho dificuldade de imaginar senhoras assim ouvindo Jovem Pan em casa. É mais provável que role uma Antena Um em geral, e uma Itapema para as mais alternativas. Certo, há uma boa proporção de Band, e posso apostar em algumas ouvintes de rádios religiosas, mas é apenas uma suspeita. No frigir dos ovos, infâmia machista, aquelas senhoras provavelmente apenas colocam a televisão para “fazer barulho”. Mas Jovem Pan? Não, improvável.

E daí? Daí que a menina, além de comandar marcialmente o grupo, deveria trazer uma seleção musical para aquelas senhoras, algo capaz de enriquecer a experiência especial que deveria ser o dia de cada uma. Vou passar o e-mail do Jean Mafra para umas dicas.

Ela tem culpa? Provavelmente não. A experiência musical da maior parte da população se restringe às banalidades diárias de rádios, que restringem sua variedade à ditadura do maldito gosto médio. A instrutora está apenas repassando a qualquer nota que lhe entregaram no universo ali fora.

É um paradoxo doído, dado que vivemos numa era em que o acesso à música criada em qualquer região do mundo é rápido, barato e amplo. Acredito que o mais difícil seja encontrar sugestões de novos geradores de boa música, mas a internet chegou antes, e nos trouxe ferramentas interessantíssimas. Fui muito fã, no passado, do Music Plasma, que agora se chama Live Plasma. O Soul Seek também teve a função para mim, além de ser um bom P2P, de me apresentar novas bandas através da funcionalidade Browse. Hoje tenho usado o Last Fm, que tem um bom sistema de indicações a partir da compilação do que você ouve.

Pronto: ninguém mais tem desculpa para estragar seus ouvidos na Jovem Pan.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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6 respostas para Cha-cha-chá

  1. férias, nada. diz a verdade. você está é vento os jogos da copa do mundo.

    • gilvas disse:

      ha, garoto maldito: se não fosse por você, todos pensariam que eu realmente estava de férias, e não roendo as unhas diante da televisão.

      bom, para não dizer que não vi nada, estava passando coréia e grécia, jogo ridículo, enquanto eu almoçava no angeloni dia desses, naquelas tevês de demonstração da net, eu acho.

  2. André HP disse:

    Saudades dos teus textos.

  3. marthadias disse:

    Minha querida mama que se encaixa perfeitamente na classe do esquadrão cocoon não vai nem que a vaca tussa fazer hidro. Ela diz que os velhinhos fazem xixi na água. Se ela souber da trilha sonora que rola, então.. aí que não vai mesmo. tomara que ela nunca leia este post, senão toda minha insistência será realmente, em vão!

    • gilvas disse:

      vivo fazendo campanha para a minha mãe fazer hidroginástica também, e a desculpa dela é bem parecida, embora esteja mais voltada para o lado fúngico da força. este lance da potencial incontinência do esquadrão cocoon me faz correr da água assim que o relógio bata oito horas, hehe.

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