Faxina OST

o sentido me escapa, hoje e em outros dias também

A faxina do lar é um momento de contemplação de novos horizontes musicais. Curiosamente, os novos horizontes podem se encontrar justamente onde a patuléia e os pedantes neófitos enxergariam apenas a raspa do tacho mais trivial da popularesca música mundial.

Uma celebração deste momento íntimo da limpeza do lar requer, caso o indivíduo seja um verdadeiro patriota, e não um desses infames portadores de bandeirinha da copa, bom, a verdadeira imersão no espírito da terra de Santa Cruz da atualidade envolve a audição de Wando enquanto se pilota a vassoura e o esfregão.

Cumprida a missão de saudar o verde e o amarelo, passo a confessar predileções verdadeiramente cafonas. Afinal, gostar de Wando é um gesto dos mais pedantes. Wando é uma espécie de Seu Madrugada do imaginário musical indie, um artista autenticamente brasileiro que possui sucursais conceituais em quase todo centro urbano do planeta. É quase uma franquia da infâmia cafajeste.

Hoje chafurdei em Crowded House. Sim, me enlameei com aquelas letras melosas e aquele vocal anasalado que não dista muito do que algum breganejo local poderia estar emitindo neste exato momento. Eu poderia me desculpar, ouvir alguma outra banda cafona da Oceania, mas obscura, como The Mutton Birds, mas não, eu me entrego, como o assassino metódico de Coração Delator: eu gosto de Crowded House.

Do outro do oceano, nos Estados Unidos, se encontra outro pilar da minha cafonice aguda. Estou, inclusive, sentindo aguda falta do segundo CD dos caras, que eu conheci por conta de Secret Smile. Os caras são tão envergonhantes que eu criei uma classificação para bandas de que tenho vergonha de gostar, e usei o nome “Semisonic” para classificar.

Engraçado é que chega a dar um alívio confessar estes pequenos crimes estéticos. Eu quero que realmente se fodam os chatos fanhos como João Gilberto e congêneres. Quero ouvir uma música bem brega enquanto encero o chão do meu cafofo. Bom, eu descarto a parte do barraco no cortiço, que é a especialidade da minha vizinha do apartamento abaixo, mas, cáspite, ser cool é meio chato demais.

Sou mais prosseguir em minha navegação através de mares de vocais fáceis e refrões ganchudos. Posso passar pela Noruega ou mesmo pela Irlanda, embora este último seja, no final das contas, um dos artistas mais geniais que esta esfera azul já conheceu. Mas é cafona, deliciosamente cafona, ainda que inteligente às pampas.

Algo mais nesta linha? Tente isto ou isto.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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10 respostas para Faxina OST

  1. George disse:

    Ouvisse também aquela do “Renal, Renal” (Don’t Dream it’s over)? http://www.youtube.com/watch?v=J9gKyRmic20

    • gilvas disse:

      oh yeah! este clipe até que é bonzinho, mas teve uma vez em que eu baixei uma coletânea de vídeos deles, e, diabos, são muito vergonhosos, quase todos cafonérrimos! mas don’t dream it’s over ainda é uma das prediletas da casa.

  2. Hahah, meus momentos de faxina são ecléticos. O ápice é ouvir “I was born to love you” do Queen…

  3. Milene disse:

    “Eu quero que se realmente se fodam os chatos fanhos como João Gilberto e congêneres”, hahahaha, pois é.
    Acho que todos nós temos nossas cafonices. Alguns não se preocupam em expor, outros preferem fazer no escurinho!

  4. Vinicius disse:

    E já que tu falou de “Crowded”, te mandar uma música de uns caras que talvez tu conheça, Augie March: “One Crowded Hour”. E também é meio fanho.

  5. Vinicius disse:

    E o nosso querido fanho mais fanho do mundo, Bob Dylan?

    Aqui na Austrália há uma predileção por cafonices. Remakes de musicais dos anos 80? Traga para Melbourne e farás uma fortuna. Mamma Mia, Jersey Boys, Fame. Mas tem coisa boa também (pelo menos pra mim), como John Butler e Newton Fawkner – ouvir Funky Tonight ou Somethin’ Gotta Give (JB) antes do John Bull dá um gás.

    Quanto à faxina, eu sou um conservador: ligo nas rádios AM.

    Abraço, Gilvas.

  6. Jux disse:

    ADORO!!!
    Essas músiquinhas-de-gosto-quase-duvidoso ganharam um apelido especial (dado por mim e pelo Osmar, meu-melhor-amigo-que-te-adora): palitáveis. Sim, palitáveis vem de palito… de dente! Aquele apetrecho que algumas-muitas-pessoas usam de modo impune e despudorado, mas que, segundo alguns bleh consultores de etiqueta dizem mó-menos-assim: MÉUUUUU AMOOOOOR, PALITO DE DENTE? Só quando você estiver sozinho, trancado no banheiro e no escuro!
    E vamos curtindo as palitáveis – eis que ré confessa: meu gosto musical é muitooooo palitável!

    beijukkka

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