Um Texto para um Domingo

Gosto da palavra “hiato”; o significado dela, entretanto, não me causa boas sensações. Faz um bom tempo que não atinjo a massa crítica de um texto. A idade, talvez, esteja me tornando pretensioso, o tipo de pessoa que esquece que para escrever basta estar diante de um teclado e a coisa fluirá.

Aniversário de nove anos diante do evento que redefiniu a política planetária, ontem. Engraçado como, nove anos atrás, eu estava inteirado do que ocorria no mundo. Hoje em dia, 11 de Setembro é uma data vagamente memorável, e eu confesso que sempre me ocorre, antes de qualquer pensamento sociológico, a terceira piada das infâmias de duplas. A primeira delas envolve tomates pequenos em uma avenida de subúrbio, a segunda envolve anti-ácidos efervescentes em férias, e a terceira você pode imaginar. Ou escrever para cá perguntando, caso você não tenha entendido e a curiosidade seja muito grande.

Trent Reznor foi uma cara bem interessante que surgiu nos anos noventa. O problema é que surgir interessante nos anos noventa torna você um potencial babaca na primeira década do século vinte e um. A menos que seu nome seja Thom Yorke. Reznor não é Yorke, os sintomas são claros.

Há salvação, entretanto. Reznor está na praça com seis faixas de seu novo projeto, How To Destroy Angels. Não deve durar muito. É bom que não dure, ou ele vai ter desejado batizar o projeto com um nome que fique melhor em cartazes de turnê. Frases não dão bons nomes de bandas.

O grande acerto de Reznor neste auto-intitulado EP de estréia é que ele deixou seus vocais, e uma considerável parte de seu ego, fora do estúdio onde o disco foi gravado. Quem assumiu o microfone foi sua esposa, Mariqueen Maandig, o que deu um novo frescor ao trabalho.

As seis faixas transbordam de uma eletrônica honesta e contemporânea. Caso eu fosse obrigado a apontar uma faixa predileta, eu diria que A Drowning seria uma boa candidata. Apesar do som coerente com o restante das faixas do EP, A Drowning tem uma letra muito Nine Inch Nails, o que me torna um cara potencialmente mais esquizofrênico do que eu declaro.

As boas canções do How To Destroy Angels estão fluindo pelas estilosas caixinhas de som da Philips. As caixinhas de som que as antecederam nesta microla eram de alguma marca genérica. Tinha aquele subwoofer migué, e uma penca de fios que viviam se embaraçando. Depois de muito mau-contato e sofrimento, decidi aposentá-las por invalidez. Aprendi coisas.

O Steve Jobs poderia viver de escrever letras para músicas. Volta e meia ele fala algo compacto que te faz pensar ao menos um pouco. Teve uma vez em que ele incrementou o endomarketing da Apple falando que um dos motivadores dele se esforçar tanto na Apple é que assim ele teria produtos bem feitos, e não a porcariada generalizada que jorra das lojas de informática.

A Philips fez isto com as caixinhas de som de que eu falo. O modelo é o SPA2201, disponível nas boas lojas do ramo ou em alguma biboca duvidosa como aquela onde eu adquiri as minhas.

As danadas, de primeira, são lindas. P&B, com predominância seletiva do branco ou do preto, seja o que isto lá signifique, e dependendo do ponto de vista.

A embalagem promete que elas são pequenas mas poderosas. E só: não há informação de potência na embalagem ou mesmo no manual. O vendedor de uma das lojas disse que nem mesmo a internet tem mais informações. Olhando embaixo das mocinhas, todavia, há a informação de consumo, meio ampère em cinco volts, o que a coloca no patamar de potência das caixinhas genéricas como a que eu tinha anteriormente.

O preço, claro, é maior do que a concorrência das imediações. Mas vale a pena: o som é claro, os cabos são de excelente qualidade e se esparramam de forma harmônica por trás do monitor na minha mesa, e o visual é bonito. Recomendo. E não estou ganhando nada por esta propaganda.

***

Um aperitivo do How To Destroy Angels:

***

Agradeço a correção da Ana Corina ao meu deslize com as datas.  Como escrevi a parte do 11 de Setembro antes da meia-noite, e publiquei depois dela, acabei não atentando para o detalhe.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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5 respostas para Um Texto para um Domingo

  1. marthadias disse:

    ótima dica das caixinhas… tô precisando muito.

  2. Ana Corina disse:

    By the way, não ouvi a música porque, por algum bug que pede uma reiniciação que não estou a fim de fazer no momento, minhas caixinhas de som não estão funcionando… 😉

  3. Ana Corina disse:

    Gilvas man, arruma a data do teu post pq como está, ‘ontem’ é dia 12/9, até onde sei, aniversário de nada muito importante no cenário mundial…

    😉

  4. mafra disse:

    faixa ótima. vídeo melhor ainda. texto a altura.

    agora, conta aí, a terceira piada, por favor!

    (já que eu não consegui imaginar…)

    • gilvas disse:

      dois aviões passeiam por nova iorque em onze de setembro de um certo ano. um vira para o outro e diz “olha o prédio”, cabum, e o outro “que prédio”, cabum. fim.

      dia desses eu te conto a das bolinhas de gude passeando dentro de casa.

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