O Assunto da Semana

sou o elefante, ali à direita. não politicamente, claro.

Depois de uma semana de sofrimento e antecipação dolorosa, navego agora por um mar de serenidade. Antes que pensem que participo agora das fileiras dos diazepínicos, adianto que estou me referindo à cessação da obrigatoriedade do título de eleitor na votação de domingo. Sei lá eu onde está meu título de eleitor. Faz mais de quatro eleições que voto com minha carteira de identidade.

Eu havia planejado, no começo da semana, uma expedição em busca do meu título de eleitor. Com esta diretiva em mente, apaguei esta lembrança de minha mente, e segui minha vida, contando com os benefícios de minha memória maleável.

Alguns candidatos, entretanto, não haviam combinado comigo esta agradável alienação dos fatos corriqueiros. Recebi mensagens no celular, telefonemas no dojo, e há todo um zumbido nas ruas.

Repararam como a maior parte dos candidatos entendeu errado o uso de redes sociais e ferramentas da internet? McLuhan precognizou que o meio seria a mensagem, e até isso foi mal interpretado pela maioria dos que concorrem ao pleito deste ano.

Todas as mensagens que recebi por celular usavam o meio para transmitir as mesmas mensagens de sempre, as mensagens que eu receberia num santinho ou pelo alto-falante de um carro velho na rua. Meu nível de comoção foi zero, embora seja louvável evitar a poluição causada pelos papéis na rua.

E o que dizer de mensagens gravadas e reproduzidas ao telefone? Eu me senti como se estivesse recebendo uma surpresas de amigos joselitos, um daqueles carros vermelhos e pontuados de corações em renda, de onde jorrassem mensagens gravadas por locutores de rádio. Pobre, muito pobre.

Acabei dedicando meu voto a uma pessoa que soube atravessar toda esta parede de incompreensão sobre os confusos meios modernos de comunicação. Ela foi direto ao conceito da rede social, que é algo que transcende o formato cibernético da rede mundial. Uma rede social é feita de pessoas, e não de contatos digitais. Uma rede social era o que tínhamos nas cidades do interior, onde todo mundo ficava, física e socialmente, próximo.

Vocês devem imaginar de quem é meu voto para presidente.

Dias atrás eu estava resmungando sobre o tópico “imagem” associado às eleições e à propaganda, e ocorreu-me que deve ser difícil para os candidatos controlar suas imagens quando as mesmas se encontram ampliadas e coladas sobre veículos automotores pela cidade afora.

Dia desses presenciei a barbeiragem de um Gol pilotado por um cidadão trajando indumentária e atitudes de “mano”. O carro tinha várias propagandas, daquelas que cobrem parcialmente os vidros, de um candidato cujo nome de guerra começava por “Major”. Obviamente este sujeito não consta de minhas intenções de voto. Provavelmente não constaria antes, pois acho ridículo alguém se fazer valer de suas insígnias militares para formar seu nome de representação no pleito, mas seus comparsas me forneceram a certeza.

E certeza é algo tão raro nos dias de hoje que eu gostei de ter ao menos esta.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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3 respostas para O Assunto da Semana

  1. Ana disse:

    Gostosinha essa galega, hein?
    ;-D

  2. mafra disse:

    pior que major e quetais, são os que levantam a badeira da família, os que afirmam que todo “jovem” tem que servir ao exército, os que são claramente “facistas”… sei lá, (independentemente de lei da “ficha suja”, regulamentaçãod e propaganda eleitural, etc) a cada eleição parece que piora.

    mas fiquei curioso para saber qual candidato conseguiu furar esse bloqueio…

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