Em Defesa do Canastrão

Este final de semana me colocou diante de duas situações em quais o nome de Hugh Grant foi maculado. “Judiaria”, diriam minhas avós, até porque elas sempre souberam apreciar um sorriso de cafajeste, e manter a devida distância deles. Grant é conhecido por suas participações em comédias românticas, tais como esta aqui e esta outra. Aqui no Brasil, ó injustiça que assola os nobres canastrões, sua existência está mais associada a ter recebido a generosa felação de uma profissional do séquiço em local público. Britânicos foram forçosamente associados à elegância e aos bons costumes por algum colunista sarcástico, claro.

Grant é um dos ápices da escola canastrona de atuação duvidosa. Como em todo ecossistema, cada parte da indústria do cinema existe por alguma razão, por mais obscura que possa parecer. A presença de um canastrão empresta às produções um de glamour inegável, um lustro que enaltece o bom roteirista e o bom diretor através de suas respectivas capacidades em lidar com as pouco moldáveis habilidades interpretativas deste bonachão elemento.

O canastrão sofre. Apesar de sua presença constante nas revistas femininas, sua figura costuma ser achincalhada sem perdão. Usarei exemplos do cinema nacional para exemplificar. Matheus Nachtergaele é considerado um grande ator no Brasil e fora do nosso país, então poucos se armam de goiabas quando estão comentando seu desempenho. Mesmo quando este não foi necessariamente muito bom. Agora, apareça o Luigi Baricelli na tela, e voaram todos os restos possíveis do sacolão de sábado passado.

A questão do talento natural assombra os passos de qualquer canastrão. Eu me sinto quase mal quando enxovalho o nome de Nicholas Cage, mas as atuações em O Senhor das Armas e em Motoqueiro Fantasma deveriam ser vistas como um sinal de superação pessoal, e não como a porcaria, pura e simples, que são. O ponto é que Cage tem uma limitação física, é quase como se ele tivesse sofrido, previamente, um acidente, e ficado com aquelas limitações de movimento que aquele rapaz, o que fez Vamp, tinha. Quando este rapaz aparecia no Faustão, todas se comovia, então porque Cage não pode ter o mesmo tipo de indulgência por parte dos críticos, estes monstros azedos e desalmados?

Trocando em miúdos, é como se houvesse um equilíbrio universal das forças, uma espécie de Yin-Yang do mundinho de róliúde e vizinhanças, mais ou menos como o dipolo formado em Etérnia por He-Man e Esqueleto. Os canastrões são como bobos da corte, a eles é permitida a incapacidade para a sutileza; sua atuação pode incomodar os espíritos polidos, mas sempre há algo relevante, ou ao menos divertido, sendo dito por um canastrão, nem que seja uma cantada vagabunda. Escute, sempre há algo a aprender.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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8 respostas para Em Defesa do Canastrão

  1. Junior disse:

    Não creio que Hugh Grant ou Nicholas Cage sejam Canastrões…

    Hugh Grant tem grandes atuações como em ” Quatro Casamentos e um funeral”, ” Razão e sensibilidade”, ” O diario de Brigeth Jones”, ” Um grande garoto” porém é um ator digamos “acomodado” que achou seu espaço na comédia romântica, devido ao carisma e ao belo sorriso do inglês.

    Nicholas Cage era incrível , definitivamente já foi incrível não preciso citar outro filme além do genial ” Despedida em Las Vegas” onde inclusive ganhou um Oscar, porém devido aos problemas financeiros criou uma grande exposição de sua imagem aceitando qualquer tipo de papel o tornando cansativo.

    Canastrões são Burt Reynolds , Jet Lee , Steven Segal , Chuck Norris , Dolph Lundgren e o REI DA CANASTRICE William Shatner esses sim são atores que não incluíram em nada no meio cinematográfico, por vezes fazendo algo razoável

    • gilvas disse:

      não é irônico que o comentário, no final das contas, é que acabou sendo em defesa do canastrão? 😉

  2. ian disse:

    “Oi, a cachorra tem telefone (a que faz au-au)?”

  3. mafra disse:

    acho que seria legal que pudessemos apenas dar aquele “like” para alguns dos teus textos… já que não há muito o que se dizer depois destes… (ainda mais se ele vem acompanhado de comentários como o que o renato colocou acima).

    • gilvas disse:

      ei, mas tem um botão “like” ali! além disso, tem como apontar estrelinhas para dar nota! bom, agradeço os elogios, você é um rapaz muito cortês e gentil.

  4. Turnes disse:

    “O grande ator é inteligente demais, consciente demais, técnico demais. O canastrão, não. Está em cena como um búfalo da ilha de Marajó. Sobe pelas paredes, pendura-se no lustre e, se duvidarem, é capaz de comer o cenário. Por isso mesmo, chega mais depressa ao coração do povo.” continuou.

  5. Turnes disse:

    “A verdadeira vocação dramática não é o grande ator ou a grande atriz. É, ao contrário, o canastrão, e quanto mais límpido, líquido e ululante, melhor”, disse, certa vez, Nelson Rodrigues.

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