Não desista do technopop que já te fez tanto bem!

O Facebook tem uns anúncios no lado direito. Geralmente coisas sobre futebol e outras coisas que não interessam ao meu espírito. Costumo fechá-las, marcando como Ofensivas. O que não deixa de ser verdade; vai me dizer que Rihanna não é algo que se possa considerar ofensivo a um mínimo indicador de bom gosto?

As surpresas faziam parte do cardápio de uns meses atrás, e eis que o Facebook me indica, dado que sou fã declarado de De/Vision, uma banda chamada Monody. Como toda boa banda de technopop, eles capricham nas referências obscuras a ciências, exploração espacial, relacionamentos intensos e locais pitorescos e misteriosos.

O som paga tributo ao De/Vision em diversas camadas, e receio que exista alguma relação com o Assemblage 23. São americanos, até onde consta. O nome deriva de uma forma musical típica da Idade Média, e nada poderia ser mais paradoxal do que o nome da banda, que trabalha em dezenas de camadas de melodias a cada canção.

As partes rítmicas são bem resolvidas, as melodias são sedutoras. Os vocais ficam acima da média, e atendem ao que solicita o estilo. Os arranjos e os efeitos ajudam a fixar as canções na cabeça. Há poucas canções de que não gostei; Ends And The Means é provavelmente a mais fraca, e eu passei algumas semanas viciada no quarteto que inicia na tensa Disremembered, decola em Ceti Lullaby, plana formosamente em Burning Emotive e pousa solidamente em Absent. Quase todas as faixas usam aquele velho e charmoso clichê de rock progressivo que consiste em colar as faixas. Ou seja, é difícil escutar faixas isoladas.

Só não veja nenhum vídeo de apresentação dos caras, pois eles, contrariando a regra do bom technopop, são feios de lascar.

O Purple Side Fog é uma banda russa de darkwave que eu descobri em uma coletânea tosca e meio irregular chamada Dark Disco. Ou alguma bobagem do naipe. Bela descoberta. Este Project:Rentgen foi o primeiro disco deles que encontrei, e, caspita, é excelente.

A introdução instrumental migué é um item obrigatório em discos deste estilo, então perdoe-os, pois a primeira faixa de verdade é um arrasa-quarteirão de mais de sete minutos de ritmos empolgantes, guitarras entrecortadas, vocais principais malvadões secundados por súcubos esvoaçantes. Os efeitos eletrônicos vão pipocando ao longo do tour-de-force, e eles poderiam ter feito uma versão de vinte e três minutos, e ainda seria pouco.

Psychomorph/We Feel Naked deve ser a música de trabalho dos caras, pois há dois remixes neste disco além da original. Perdi parte do tesão nesta, pois não sou muito chegado neste vocal metido a lírico. Entretanto, se comparar com qualquer Evanescence ou clone, ganha fácil: o instrumental é fantástico, nada daquele morde-assopra com guitarras sempre no mesmo tom.

Minha segunda melhor faixa do disco é a piegas My Secret Friend. Esta tem até uma versão em russo, com arranjos levemente diferentes. A introdução é um tecladão atmosférico, que segue para um baixão estilingado, batidas secas. Os vocais são um pouco mais esparsos, mais logo vão se fechando, ganhando em tensão e dinâmica.

Meu grilo inicial foi com a esquizofrenia deles. Tem momento em que eles parecem Diary of Dreams, tem hora em que eles parecem querer tirar Siouxsie de sua esquife. Something Wrong soa muito como as fases mais melódicas do Front Line Assembly, intercalando base eletrônica tensa com vocais femininos que falseiam algo gregoriano. Crystal Castle é um EBM lento malvadão. PVC Slut é muito And One. Há de ser nada, eles são versáteis, criativos e músicos competentes.

Fechando o disco propriamente dito, minha predileta. Fuel é uma das poucas músicas que eu seriamente pensei em colocar como toque do meu celular. Mais uma vez as guitarras bem trabalhadas se jogam por cima de bases eletrônicas insinuantes. Os vocais trágicos se embebedam nas bases melancólicas, e é melhor parar por hoje.

Só não me perguntei o que diabos é este s2 radiografado na capa do disco. Eu prefiro me manter ignorante neste assunto.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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