Mesh: We Collide

O último registro de estúdio do Iris foi o decepcionante Hydra, contendo apenas três canções inéditas e um preenchimento pouco glorioso de dez versões remixadas, nem sempre acrescentando valor às boas faixas do duo. Uma das versões boas era Lands Of Fire (Mesh Pyromix). A original é muito boa, mas duo britânico realmente consegue acrescentar um furor arrasa-quarteirão. Corri atrás de discos dos caras, e consegui este We Collide.

A faixa de introdução começa com um tecladinho tenebroso, o que me dá arrepios, e de um jeito ruim: vinheta tenebrosa para começar disco de dark wave deixou de ser interessante ali por volta de 1993. Alarme falso: o vocal sufocado entra, e, logo depois, a bateria e as guitarras, numa levada dançável e empolgante. Os temas da letra são os triviais do gênero: relacionamentos, o fim dos tempos, tudo chacoalhado num liquidificador, então você não sabe se o cara está falando da namorada ou do primeiro-ministro.

What Are You Scared Of? tem uma levada pop-punk-rock eletrônico que lembra muito o Placebo circa 1999. Aqui os dois vocais mostram que o Mesh é uma banda de technopop à moda antiga, como os duos eletrônicos do final dos anos setenta, sempre ciosos dos arranjos vocais, que emprestam calor aos teclados e seqüenciadores. Os caras são de Bristol, então rola um tecladinho fantasmagórico, na segunda estrofe, que eles podem muito bem ter absorvido de audições do soberbo primeiro disco do Portishead.

Em Step by Step eles fazem uma versão bem curiosa do clássico do New Kids on The Block. Mentira. É uma música própria, com uma letra bem sacada, ainda sobre o tema relacionamentos e afins, com bons achados, o tipo de frase de efeito que tu gostarias de ter na ponta da língua em alguma discussão com a namorada.

No Place Like Home é mais espaçosa, menos tensa, e remete ao som de um George Michael mais atmosférico e mais eletrônico. Petrified tem pretensões de épico, e uma das faixas que mais chama a atenção nas primeiras audições; com o passar do tempo, como seria de se esperar, ela enjoa antes das outras.

A curta Rest in Pieces lembra algum faixa dos discos mais recentes do finado Wolfsheim; dá saudade. Até a letra lembra os alemães de The Sparrows and The Nightingales, como nestes trechos: “You’re making chances to the memories of your youth” e “You’re not the first to cry, but you might just be the last”.

Segue minha predileta, This is What You Wanted. Um vocal desincorporado se infiltra logo após o ataque cru das guitarras, seguido da seção rítmica que, como no vídeo tosqueira do Jaspion & Daileon, chega “moendo”. As estrofes são altas, a peteca não cai em nenhum momento. A edição é seca e limpa, sem folgas, a ponte é encaixada perfeitamente na estrutura, e a alternância dos vocais amplia o efeito da angústia, teatralizada, claro.

Este disco segue sem surpresas maiores até Crash, que lembra a faixa-título do EP de despedida do Ashbury Heights. As surpresas são Can You Mend Hearts?, balada grudenta de guitarra que não ficaria muito deslocada em algum volume da infame série Lovy Metal. Rola um migué de faixa em branco, e fecha com a delicada e coxíssima The World’s a Big Place. Que é, por sinal, muito bonita, podendo muito bem fazer parte de Whiskey Tango Ghosts, da Tanya Donelly.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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