Resquícios de um pleito

Considero “oligarquia” uma palavra horrorosa desde minha tenra idade. Pobre da palavra, é apenas uma palavra, mas seu significado é pérfido, na maior parte dos casos. Segundo a Wikipedia:

(…) Na ciência política, oligarquia (palavra originária do grego, traduzida literalmente, “governo de poucos”) é a forma de governo em que o poder político está concentrado num pequeno número de pessoas. Essas pessoas podem distinguir-se pela nobreza, a riqueza, os laços familiares, empresas ou poder militar. Estados em que tal acontece são muitas vezes controlados por poucas famílias proeminentes que passam a sua influência ao longo de gerações. (…)

Mas, na década de oitenta, eu não sabia de nada disso. Ainda assim, sempre tive asco à pobre da palavra. Culpa do Bornhausen, e, mais tarde, do Amin. Esta moçada que se abraçou aos militares e à ditadura patrocinada pelos Estados Unidos, mama até hoje nas tetas abundantes do estado de Santa Catarina, com a conivência de um eleitorado reacionário e retrógrado, referido em mesas de boteco como “povinho de merda”.

Fui dormir arrasado ontem, mas acordei melhor. Era inevitável que os Juninhos, apoiados por verbas gordas e pela mídia do grupo RBS, fossem alçados ao primeiro lugar nas urnas. Devem ter comemorado tomando muito Nescauzinho diante do PS3 novinho que papai trouxe do Paraguai. Deixa estar, não fiquemos tristes. O desempenho conjunto dos candidatos alternativos excedeu 40%, temos esperança.

Serão mais quatro de administração voltada aos ricos, centrada em quem tem carro. Elevados serão construídos, pois são uma forma excelente de embutir orçamentos abusivos. Pode ser que o Juninho ganhe, e teremos uma cidade mais humana, onde “humano” se refere a “branco caucasiano macho de classe média-alta transportado por veículo auto-motor ineficiente, poluente e nocivo”. Sim, serão mais quatro anos com ciclovias de mentirinha, para riquinho passear no final de semana, tirando sua bicicleta importada do suporte atrás de sua Tucson.

Em 2016 a gente se encontra de novo. E vai ser outra batalha. A luz está no fim deste túnel. Em 2012, nos resta buscar eleger o menos pior, eleger o continuísmo sabor xuxu do partido de centro, para afastar o nefasto candidato do atraso e da roubalheira descarada. Tentar manter Floripa no século XXI, ou pelo menos nos anos noventa.

O eleitorado também teve o bom senso de ejetar da câmara municipal encostos cuja “onda pegava”, se é que você me entende. Ainda tem muita coisa para exorcizar lá, incluindo alguns recém-chegados, mas há esperança. Floripa, pelo nosso esforço, ainda pode colocar a inocente palavra “oligarquia” em seu devido lugar, nas enciclopédias e nas cátedras de estudo de cacoetes políticos do passado.

***

A tirinha tem relação com política, mas não com o tema tratado neste pequeno texto. Ela foi usada por ter esta leve relação, e também porque é minha atual tirinha predileta.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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2 respostas para Resquícios de um pleito

  1. Cristiano disse:

    Demais teu texto meu caro! Vou pensar melhor sobre meu voto agora…..votei no Branco, agora quem sabe não mais…..pois descobri que o Branco tem uma TUCSON, ehehhe.

    Abraço!!!

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