Ang Lee: A História de Pi

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O espetáculo visual do último filme de Ang Lee é inegável.

As cores explodem na tela, e assim o fazem as criaturas do mundo real transpostas em seres fabulosos a serviço da história de Pi. Da mesma forma se configuram os reflexos e as luzes, grandiosos na expressão, sublinhando os estados de espírito do protagonista.

Parece-me que Lee, depois de alguns meandros em sua carreira, resolveu relaxar filmando um épico. A espinha dorsal, ele sabe, é uma boa narrativa. Ele aprendeu com Forrest Gump e com Lendas da Paixão; seu protagonista relembra sua história de um ponto de vista sereno e civilizado, um ser humano adulto com a alma repleta de tatuagens mágicas. Os familiarizados com a literatura do sul do Brasil saberão reconhecer o tema do náufrago em um bote com um tigre diretamente das páginas de Max e os Felinos, de Moacyr Scliar, um texto magnífico.

Pi sofre ao extremo, e Lee trabalha cada uma das provações com cores vívidas e cenas belíssimas, aliviando a pressão em alguns momentos estratégicos com a ajuda do humor. Curioso é que poucos tenham a sensibilidade de entender porque Pi se compadece dos peixes que vai comer; ouvi risadinhas neste momento, que ressalta o respeito imenso que o protagonista demonstra pelos animais e pela vida em geral.

Lee pode ter levado o Oscar com os Cowboys de Brokeback Mountain, mas nossos corações ele roubou com Life of Pi.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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6 respostas para Ang Lee: A História de Pi

  1. Pedro Preuss disse:

    Pi, é o próprio tigre. A história, por ele inventada, serve para sublimar o fato de que ele, para sobreviver, comeu os restos do cozinheiro, que ele matou, da mãe, que foi morta pelo cozinheiro e do ajudante, também morto pelo cozinheiro. A bela história , em verdade, serviu para permitir a ele, partícipe de tudo, domar-se, e poder continuar a viver

  2. J. disse:

    Os animais falam nesse filme?

  3. Nando disse:

    O filme é uma belíssimo presente ao público, um brinde que se traduz na oferta de uma reflexão sobre viver ou não com a fé, incluir ou não beleza e esperança em sua vida. Achei lindo.

  4. Aluísio disse:

    Não sei se é pq assisti o filme contigo e com a Maricota, mas tenho que concordar. Abraço!!

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