Guga & Huck: The Dark Side

Fórmula

Dia desses eu vi alguns anúncios, de uma nova academia de ginástica, onde apareciam juntos Luciano Huck e Gustavo Kuerten. Achei muito oportuno tirar da cachola algumas considerações sobre estes cidadãos tão adorados pelos almeidinhas e pela Veja.

A adoração do cidadão médio por Kuerten é previsível. Ele foi um dos primeiros atletas nativos realmente relevantes em algum esporte, e, de quebra, é um sujeito que exala e exalta o modo de vida do manezinho da ilha. Duas de suas namoradas foram capa da revista Playboy, o que afere sua popularidade em mais de uma forma.

Até aí tudo bem: temos um desportista competente e esforçado, carismático e fiel a suas raízes. O problema é que as pessoas querem mais, não basta o cara ser um ícone do esporte, estampado em colunas sociais, com visibilidade no país todo. O problema é que, além do sorriso carismático do atleta, não há muito o que Kuerten possa oferecer.

Cheguei a conseguir uma briga com um colega de trabalho, admirador, como a maior parte da população, de um Kuerten imaginário, um ser de realizações e de uma alma ímpar. O que Kuerten definitivamente não é. Há alguns meses, quando as articulações para as eleições ainda estavam se armando, Kuerten foi pivô de uma boa dose de ruído em torno de “segurança”, um tópico muito querido pela direita provinciana de Florianópolis, que ganha contornos higienistas nas propostas de nosso futuro prefeito.

Gustavo Kuerten é visto como um benfeitor das classes menos favorecidas de Florianópolis. Apóia as obras filantrópicas de sua família, sem dúvida, mas seu posicionamento político é nulo, o que o torna altamente manipulável pelas oligarquias locais. Enquanto de uma das mãos de Kuerten emana assistencialismo barato, da outra, discretamente, crescem investimentos imobiliários que agridem o meio-ambiente, como a sua imensa mansão na praia do Morro das Pedras, construída sobre área de restinga.

O que existe de especial em apoiar novas turmas de tênis? Nada demais, é um passo óbvio, quase uma mera obrigação para com o esporte que o projetou na cidade em que ele nasceu. O que não vejo é uma movimentação real, atos efetivos. Kuerten resmunga contra a corrupção e contra a ocupação imobiliária, mas aparece abraçado com seus perpetradores nas colunas sociais.

Em São Paulo temos o ícone máximo da TFP jovem, Luciano Huck. O rapaz começou em um canal periférico de televisão, num programa cheio de dançarinas semi-nuas, sendo um consistente celeiro de celebridades fast-food direto para as páginas de revistas masculinas. Tudo a ver com a imagem de rapaz certinho, confere? Lamentável.

Atualmente, pelo que me informaram, seu programa absorveu alguns cacoetes de programas americanos, e ele passou a reformar casas e carros do populacho, além de passear de táxi com celebridades, para o gáudio deste povo humilde. Nada mais distante da realidade de um catalisador de mudança.

Mais de uma vez ouvi pessoas graduadas e em bom estado de saúde mental declarando seu apoio às obras de Huck. Tipo, como ele fosse um mecenas da patuléia, um messias das classes baixas. Difícil acreditar nisso. Nem vou falar de reformas em carros, pois não saberia por onde começar a descrever o ridículo desta situação, então trabalhemos a questão das casas.

O dublê do goleiro Rogério chega na casa do indivíduo, e dá uma lambrecada geral. Deixa tudo brilhando, paredes pintadas, lâmpadas novas, aqueles tetos rebaixados mais cafonas que música da Gretchen, tudo passível de patrocínio. Ou tu pensaste que era bondade? Obviamente o programa do escoteiro da Angélica dá lucro, é tudo na ponta do lápis, como em qualquer programa de televisão.

Depois da passagem do narigudo corintiano, fica aquela alegria toda, aquela euforia regada a cerveja da Ambev e servida por churrasquinho felino. No dia seguinte, todavia, aquela rua esburacada, adivinha? Continua lá. O ônibus continua passando em horários aleatórios, os muros continuam pichados, e as calçadas continuam estreitas e inutilizáveis. Que adianta ter uma casa nos trinques se o mundo ao redor ainda pertence a um terceiro mundo caricatural?

A própria casa, como se imagina que ela chegou ao estado lamentável que Huck veio consertar? Quem vai manter de pé as paredes, quem vai manter a pintura, quem vai trocar as lâmpadas do horroroso rebaixo de gesso barroco? Deus me livre se tiverem colocado um anjinho de concreto para mijar numa fonte no quintal; quem vai pagar a conta da água?

Agora os dois filhinhos queridos do reacionário tupiniquim estão trabalhando juntos na abertura de mais unidades para as academias Formula. Tu sabes quantas delas serão abertas na cidade? Nenhuma. Todas ficarão em shoppings. É este o tipo de cidade que os meninos do bem querem, uma cidade de gente motorizada indo à academia com seus SUVs. Tudo a ver com os planos do nosso novo prefeito. Curiosamente, Gustavo Kuerten reclama que a cidade que ele ama está ficando desumana. É claro que ele não tem nada a ver com isso. É ingenuidade (sic) demais para a minha cabeça.

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Sobre gilvas

Pedante e decadente, ao seu dispor.
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7 respostas para Guga & Huck: The Dark Side

  1. Ana Franco disse:

    Ótimo post Gilvan! Adorei =)

  2. Jonas Torres disse:

    Quanto sofrimento! Quanto rancor! Gasta menos tempo escrevendo abobrinha, se esforce, estude e trabalhe bastante que vc tb chega, se não lá, em algum lugar melhor, onde vc lamente menos o sucesso dos outros. Outra coisa, bonitão, quer escrever? Pesquisa antes! Vc pode ter opiniões pessoais, e, por mais estapafúrdias que forem, publicá-las, mas não dar roupagem de verdade a um monte de inverdades.

    • gilvas disse:

      caro jonas torres.

      gustavo kuerten chegou lá com o apoio da família e com o seu esforço, e não com estudo. porque eu deveria estudar, então? só para constar, eu estudei, e provavelmente mais do que você.

      solicito que me envies as provas de que o senhor gustavo kuerten não construiu sobre uma restinga. estou curioso para ver tal relatório. aliás, são capazes de me provar que aquilo lá na beira da praia no morro das pedras nem são dunas.

      boa tarde.

  3. Patrícia disse:

    Vcs estão mal informados. Primeiro: a casa dele não fica em área de restinga, pra começo de conversa. Segundo, a construtora que se fala acima, ele tinha uma parte da sociedade que a muito tempo já foi vendida. Informem-se melhor antes de noticiar inverdades.
    O que vc faz de sua vida pra poder avaliar que o que ele faz de obras assistências como assistencialismo barato? Tirou alguma vez o seu traseiro da cadeira pra ajudar efetivamente alguém?
    Nada tem a ver Luciano Huck com Guga, a sua comparação foi extremamente infeliz!
    Finalizando, critico que se preze jamais usaria “Tipo” como início de uma frase, antecedida por uma vírgula! Linguagem típica de adolescente que critica sem fundamentos. Essa sua crítica é um lixo!

    • gilvas disse:

      boa tarde.

      eu sei reconhecer uma restinga, e a casa do senhor gustavo kuerten foi construída sobre restinga, no morro das pedras. morei anos na região, e caminhei muito pela área antes dela ser comprada, e a casa construída. muito tempo antes um hotel, que ia ser construído ali, foi embargado por estar (a) sobre restinga e (b) sobre terras da união.

      hoje em dia a coisa virou festa, e há muitos empreendimentos imobiliários “ecológicos” construídos sobre área de restinga. é só lavar algumas mãos e assustar alguns moradores das cercanias, e está feito. não estou dizendo que o senhor gustavo kuerten é melhor ou pior do que estes crápulas incorporadores e especuladores, estou apontando para os seus seguidores, que o consideram uma espécie de semi-deus.

      consideremos que eu não apoiasse, inclusive com meu próprio trabalho voluntário, causas como a proteção animal, infância saudável, entre outros, o que eu efetivamente faço e não preciso comprovar isto para você. mesmo que eu não fizesse nada disso, ainda assim eu teria envergadura moral para apontar santinhos do pau oco.

      bom, vou voltar ao meu ps3 e aos meus discos do restart, curtir esta minha adolescência desinformada (sic).

  4. adriana lisboa disse:

    Boa!!

  5. dj disse:

    vc poderia citar a obra que a construtora dele pretende fazer na Ponta do Coral, e quem sabe iniciar uma campanha do tipo “Guga, nao deixe esta beleza natural ser vendida” “Parque Ecológico Ponta do Coral” etc falando que ele como manezinho deve defender a ilha e s vontade de seis cidadãos, colocando ele em uma situação chata: se construir, queima a própria imagem, se nao construir, perde uns milhões mas vira heroi

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